📗 O Romance das Ilhas encantadas

Título: O Romance das Ilhas encantadas
Autor: Jaime Cortesão (1884-1960)
Publicação: Lisboa : Aillaud : Bertrand, 1926
Ilustrações de: Alfredo RG (1864-1935)
Descrição física:
Colecção: Biblioteca histórias e historietas, 5
Informação:
Notas: Livro em
ver↗️O Livro Infantojuvenil em Portugal entre 1870 e 1940 - uma Perspetiva Histórica, de Raquel Patriarca, UP, 2012

Nesta publicação de Jaime Cortesão e que Roque Gameiro ilustrou, narram-se algumas lendas de delicioso sabor antigo. Trata-se de um pequeno livro que nos cativa pelo modo simples e directo de comunicar as ideias, às quais não falta, porém, elegância de forma. Por detrás do encanto de que as histórias se revestem, apercebemo-nos do objectivo didáctico que está subjacente à narrativa; um processo pedagógico de levar as crianças e jovens a interessarem-se por relatos de carácter histórico e lendário.

De início, o autor dirige-se directamente aos jovens leitores, numa sucinta nota explicativa.

"Ao leitor - Este romance que ides lêr, jovens amigos, não julgueis que de parte a parte o inventei, para depois vo-lo contar. Ele anda escrito, pedaço aqui, pedaço além, por velhos livros onde se recordam as histórias contadas pelo povo, nas idades antigas"1.

Os títulos dos capítulos são bastante sugestivos: A caçada de D. Froiaz, A infância dos marinhos, O infante navegador e os Marinhos. Este último inclui a lenda da formação da Lagoa das Sete Cidades.

A edição esteve a cargo das livrarias Aillaud e Bertrand.

Maria Lucília Abreu

in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005

1 Cortesão, Jaime, Prólogo da colectânea de contos O Romance das Ilhas Encantadas, 1920, Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand.


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Debalde antigamente os navegantes tentavam aportar às Ilhas Encantadas. Lá estavamm as mulheres marinhas a guardá-las. E quando os marinheiros deitavam os bateis ao mar, eram elas que desviavam os navios em direcção contrária, que espalhavam nevoeiros e tornavam as ilhas, as cidades e os palácios invisíveis.
Estampa 1
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D. João Froiaz vai descer a encosta até ao Mar, à busca dos veados. Aos monteiros recomenda que desçam de vagar e cautelosos. Já um, de lança em punho, seguro ao ramo de uma árvore, vai descer. E os outros dois, de chuço erguido e a bésta às costas, escutam com atencão o cavaleiro.
Estampa 2

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Pé ante pé, D. Froiaz dirigia-se à mulher marinha, que dormia junto da ribeira, para de surpreza lhe deitar a não. Ei-la que abr3da estrentunhada. E ambos por segundos ficam espantados um do outro. Já o cavaleiro pisa a areia; mas, dois passos que ela dê, e entra logo no Mar.

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Estampa 3
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D. Marinha ainda às vezes contempla com saudade o Oceano. E aos pequenos Marinhos não há quem os arranque da beira-mar. O gosto deles é brincar nas ondas, colher as conchas, os búzios e as estrelas ou correr as grutas fundas, que o mar cavou nas penedias.
Estampa 4
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A primeira veq que os marinheiros portugueses saltaram em terra numa das ilhas encantadas foi um pasmo e uma festa. Uns ficavam-se a olhar as focas e as aves, que não fugiam deles; outros fitavam com assombro as grandes árvores; e outros enfim regalavam-se a comer os fructos saborosos.
Estampa 5
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No tempo do Infante D. Henrique já de há muito se uzavam as galés, navios de guerra, movidos a remos e a vela, e as naus, grandes embarcações, de carga e de comércio, com as velas redondas e direitas. Mas os portugueses inventaram navios mais ligeiros - as caravelas, que eram compridas e tinham as velas altas e inclinadas.
Estampa 6
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Quando os marinheiros portugueses, enviados pelo Infante D. Henrique, voltaram à Ilha das Sete Cidades, a que chamam agora S. Miguel, ficaram pasmados. Lá estava a terra, bela como sempre; mas já não viam nem palácios, nem igreja, nem os habitantes.

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Estampa 7
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E no logar, onde tinhanz sido as Sete Cidades, havia agora um abismo enorme e lá no fundo uma lagoa formosíssima, metade aqul, metade verde...

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Estampa 8
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