Nazaré

Nazaré
 
Aguarela sobre papel
17 x 24,5 cm
     A praia da Nazaré serviu ao pintor como motivação criadora de variados contextos cujas temáticas revelam pontos de vista diferentes do areal, do mar, ou da falésia, sendo as personagens pescadores ou burgueses citadinos.
     Na representação deste grupo de mulheres que se encontra na praia, o pintor afastou-se de uma concepção que visualiza esse espaço como local de lazer. Aqui observa uma situação em que as varinas aparentam estar ocupadas em distribuir o peixe que os pescadores fazem chegar até elas, escoando-o para venda. Estas mulheres que trabalham, em contraste com a ociosidade das férias, são retratadas com uma certa minúcia apesar das reduzidas proporções. Expressam situações de dinamismo sugeridas pelas respectivas posições. A mulher de pé afasta-se de canasta à cabeça enquanto que outras, sentadas no areal, parecem discutir entre elas. Há movimentos que se esboçam contendo uma intenção expressa. Essa sugestão dinâmica estende-se aos barcos que se aproximam e até ao próprio movimento das ondas.
     No mar relativamente calmo, não se nota a habitual agitação revolta. Roque Gameiro encontra as tonalidades mais adequadas para expressar os cambiantes verde azulados das águas; a imagem afastada da falésia resolve-se em tonalidades matizadas de castanho.
     A sobriedade das roupas predominantemente escuras que as mulheres envergam, essencialmente das capas, traduz, com fidelidade, os costumes próprios da região.
Maria Lucília Abreu
in Roque Gameiro - O Homen e a Obra, ACD Editores, 2005
 
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