Volume 5

Vol. 5
 
 História de Portugal, popular e ilustrada - Volume 5:
De D. Filipe II até D. Afonso VI
 
Pag. 5 - Manuel Barbosa
Ainda - e sempre - a excellente collecção de Re­galos e Elogios de Varões e Donas nos fornece mais este retrato, que é copiado do que se publicou, por diligencia de seu filho D. Agostinho Barbosa no tomo I das suas Obras. Manuel Barbosa foi licenciado em di­reito, ennobrecendo com seu nascimento a cidade de Guimarães, onde viu a luz do dia a 16 de agosto de 1546. Exerceu este illustre jurisconsulto por mais de trinta annos o logar de advogado de causas forenses no Porto e Guimarães, e foi nomeado por D. Sebas­tião Procurador da Fazenda Real de Vianna, por al­vará de 17 de março de 1578. Desgostoso com os acontecimentos supervenientes á morte d'aquelle monarcha, retirou se para a sua quinta de Aldão, onde se entregou aos trabalhos litterarios e genealógicos e lá faleceu com 9Í annos em 1639. Jaz na capella de S. Thomaz, no convento de S. Domingos de Gui­marães.
Pag. 8 - Coro de cima do convento da Conceição em Beja
O que já dissemos acerca d'este magestoso edifí­cio de Beja, nas notas com que fechámos o 4º volu­me d'esta nossa edição da Historia de Portugal ( Pag.627) dispensa-nos de mais pormenores a explicar a belleza artística deste celebrado coro.
Pag. 9 - Lucta de um elephante com um rhinoceronte
D'esta scena de barbaridade, a que se allude a pag. 518 do 4.º volume d'esta nossa edição da Histo­ria de Portugal, se encontra desenvolvida noticia no curioso romance do sr. Alberto Pimentel, Um conflicto na corte.
Pag. 13 - Gôa - Ruinas do arco da Conceição
É ainda uma das memórias em Velha Gôa do dominio portuguez n'aquellas longiquas regiões, attribuida aos tempos dos primeiros governadores da Índia.
Pag. 16 - Fernão Lopes Castanheda
Do attrahente e erudito chronista da Historia do descobrimento e conquista da Índia pelos Portuguezes, não podemos deixar de dar o retrato, que mandámos reproduzir da sua estatua esculpturada por Victor Bastos e que é uma das que circumdam o monumen­to de Luiz de Camões, em Lisboa.
Pag. 17 - Os Hespanhoes retirando da Ilha Terceira
Descreve-se a pag. 564 do 4.º volume d'esta nossa edição da Historia, a maneira curiosa por que os ha­bitantes da heróica ilha souberam, em vista do seu pequeno numero, defender-se dos ataques dos nos­sos inimigos, quando da guerra da Independência. É esta scena que a nossa gravura representa.
Pag. 21 - Diogo de Araújo
Diogo de Araújo e Sousa e Castro foi fidalgo do solar de Tora, em que suecedeu a 8 de outubro de 516, e do casal Meiro, por documentos manuscriptos. A posse d'este solar é immemorial. Diogo de Araújo falleceu em 1601. O retrato que aqui damos é copiado do quadro a óleo que existe na galeria do sr. conde da Figueira.
Pag. 24 - Escadaria do sanctuario do Bom Jesus do Monte
«Quem ha que não conheça, ao menos por tradi­ção, a feiticeira stancia do Bom Jesus de Braga, onde nacionaes e estrangeiros se extasiam na contemplação da natureza e da arte que ali se dão as mãos? A escadaria antiga e a moderna, a que minudentemente se refere o sr. Azevedo Coutinho no seu livro publicado ha um anno sob o titulo Bom Jesus do Monte, o lago, as grutas, os jardins e a magestosa egreja, tudo prende a attenção. Uma simples cruz le­vantada ha séculos entre as asperezas d'aquelle Monte-Espinho, deu origem á formosíssima igreja e ao embellezamento do local que de ha muito se consi­dera o mais attrahente do Minho! A tradição da cruz é de todo o ponto acceitavel. O que ainda se ignora é o anno em que foi construída a primitiva ermida. Já no meu livro Inscripções e Lettreiros, pag. 156, anno de 1895, mostrei que a lapide gravada em 1839 e collocada no muro do primeiro patim é inexacta quando attribue ao anno de 1474 o governo do arce­bispo D. Jorge da Costa II, que teve logar na ausên­cia de seu irmão o Cardeal de Alpedrinha desde 1488 a 1501. Por isso, com razão o sr. Azevedo Coutinho corrige aquella data dando mais 20 annos. Em que se fundou, porém,o auctor da referida inscripção para attribuir a D. Jorge a construcção da primitiva ca­peila, se as suas armas encontradas nas escavações podiam ter sido applicadas a qualquer melhoramento eflectuado a expensas do Prelado e se 22 annos de­pois o deão D. João da Guarda mandou fazer a egreja e capella? - A esta construcção ou reedificação se re­fere a lapide seguinte existente no patim do lado opposto e de cuja authenticidade não é licito duvidar: «Esta egreja e capella mandou fazer o Protonotario Apostólico D. João da Guarda, deão das Sés de Braga e Lamego, do conselho de El-rei, conde de Palatino, por sua devoção, a 16 dias do mez de setembro do anno de 1522.» - A actual egreja com fachada com­posta das três Ordens architectonicas - Dorica, Jó­nica e Composita, foi desenhada por Carlos Amarante. Principiou a ser construída no dia 1.º de junho de 1784 e concluiu a 20 de setembro de 1811. - Ao lado direito da porta principal existe uma lapide referente ás in­dulgências concedidas pelos papas Pio VI e Pio IX - Ao lado esquerdo tem outra, da consagração da egreja pelo arcebispo D José Joaquim de Azevedo e Moura, a Jesus Christo crucificado, com as respecti­vas indulgências - Na fachada ha ainda outras inscripções, uma das quaes, commemorativa da grandiosa festa do primeiro centenário, realizada no dia 1 de junho de 1854. Em 29 de julho de 1757 ordenou-se a abertura da calçada do Lanhoso, que em 16 de maio do anno immediato, ainda não tinha atingido a con­clusão. Todas as obras que D. Rodrigo de Moura Telles effectuou na estancia do Bom Jesus, importa­ram em mais de vinte e quatro contos de réis. - A nova estrada de macadam principiou a ser construí­da, e simultaneamente o jardim do campo de Santa Anna, em 1854. A 23 de março de 1859 deu-se prin­cipio á estrada que parte do arco até ao Sanctuario, e em 1874 inaugurou-se a linha americana. - No dia 14 de outubro de 1853 collocavam-se na egreja os órgãos que pertenceram á do convento de Bouro - O elevador foi inaugurado em 20 de março de 1882-. - No dia 8 de março de 1897 inaugurou-se com gran­de solemnidade a obra de reconstrucção da escadaria dos Cinco Sentidos, sendo adjudicada por 5:8oo$ooo réis ao mestre pedreiro bracarense Guilherme José Pereira.» Albano Bellino, Archeologia Christã, pag. 212 e seguintes.
Pag. 25 - Convento de S. Francisco em Diu
Como foi a Índia o ponto do globo onde os nos­sos tiveram maior predomínio em terras d'além-mar, e onde ainda possuímos relíquias do antigo poderio, achámos bom reproduzir na nossa Historia os maio­res monumentos ahi levantados pelos nossos, entre os quaes figura o Convento de S. Francisco, em Diu, que a nossa gravura representa.
Pag. 29 - Manuel Machado de Castro e Vasconcellos
Embora na Historia se não faça menção directa d'este personagem, achámos conveniente reproduzir-lhe aqui o retrato authentico, copiado do que existe no palácio do sr. conde da Figueira, a cuja amabili­dade detemos o prazer de o podermos reproduzir. Este Manuel Machado de Castro e Vasconcellos foi poeta distincto e cunhado do grande poeta seiscentista Francisco de Sá de Miranda, cujo retrato tam­bém já publicámos num volume anterior da nossa Historia.
Pag. 33 - Francisco de Andrade a ser armado cavalleiro
A pag. 241 do 4.º volume da Historia de Portugal já publicámos o retrato d'este personagem, acerca do qual dizemos algumas palavras na Explicação e Jus­tificação das Gravuras que acompanha esse volume. Aqui temos apenas a dizer que o quadrinho que pu­blicámos é reproduzido da miniatura d'um códice do começo do século XVII, que se acha em poder dos actuaes representantes de Francisco de Andrade.
Pag. 37 - Marquez de Montebello
Felix Machado de Castro e Vasconcellos, primeiro marquez de Montebello, nasceu no ridente Minho a 1 de novembro de 1595, e foi 6º senhor de Entre Ho­mem e Cávado, da Junta do Outeiro e 12.º da casa de Jaroz, depois que os ascendentes da casa se chamaram Machados. Commendador de Coucyeiro na Ordem de Christo, teve a mercê de conde e de mar­quez em Portugal, fazendo muitos serviços a esta co­roa na corte de Madrid. Foi o marquez uma das maio­res glorias do nosso paiz, não só pelo seu espirito elevado mas também como homem de progresso e re­formador, aventando idéas que só dois séculos depois tiveram execução. Foi militar valente, distinguindo-se em todas as batalhas em que tomou parte. Na paz entregava-se ao estudo das línguas, das sciencias e das artes. Eram-lhe familiares as línguas latina, ita­liana, franceza e castelhana, na qual, ao modo da epocha, compoz muitos dos seus livros. Foi insigne nas mathematicas e sabedor nas sciencias naturaes; abria a buril, lavrava pedras, tocava harpa, sabia con­tra ponto, versejava e pintava a óleo com subido bom gosto. - No tracto dos homens, sombreava os mais generosos ânimos, a ponto d'um seu biographo dizer: «Tanto podiam os outros n'elle aprender lettras, como aprender virtudes». - O conde de Ericeira escreve a seu respeito: «Na historia tem poucos exemplos este exemplo». - Correm impressas d'este egrégio portuguez varias obras de subido valor scientitico e philosophico; mas de todos esses trabalhos aquelle que maior fama lhe grangeou está inédito e na posse do seu actual representante, o sr. conde da Figueira. - Tem o manuscripto a que nos referimos por epigraphe Ensenansa de príncipes - Theatro de política mo­ral. - N'esta obra magistral e, para o seu tempo, verdadeiramente assombrosa, alvitra Felix Machado o registo das hypothecas, censura a nobreza apontando-lhe o caminho pelo qual podia resurgir dignamente; propõe academias onde se ensinassem todas as scien­cias e artes «para que os cavalleiros saiam homens insignes, na paz e na guerra». Apresenta o povo como uma entidade, que é necessário melhorar pelo ensino e regenerar pela rehabilitação. Pede escolas publicas para as classes populares, onde os desprotegidos da fortuna adquiram a educação precisa e se appliquem ao trabalho; e, finalmente, condemna a pena de morte (isto ha mais de dois séculos!) pedindo as penitencia­rias, onde os condemnados se regenerassem pelo tra­balho em vez de perecerem em ignominiosa forca, «que nem para exemplo serve» - O retrato que apre­sentamos é cópia do que, em corpo inteiro e attnbuido a Velasquez, possue o sr. conde da Figueira, que gostosamente nol-o proporcionou para ser copiado.
Pag. 40 - Beja - Convento da Conceição
Damos aqui mais um trecho d'aquelle vetusto mo­numento, ao qual em pag. 627 do 4.º volume da His­toria dedicámos as palavras que julgámos dever vo­tar a tão histórico convento.
Pag. 41 - Claustro do Convento de S. Bento em Santo Thyrso
O principio d'este mosteiro remonta a uma anti­guidade remotíssima, pois, segundo alguns escriptores, foi na sua origem templo romano. Não se sabe quando passou a egreja catholica, e quando se fun­dou o edifício do mosteiro benedictino, duplex, mas, segundo se lê no Portugal Antigo e Moderno, com certeza já existia no tempo dos suevos. Conjectura-se que o seu fundador foi S. Fructuoso; mas, segundo outros, foi S. Martinho de Dume, que viveu no sé­culo VI. D. Soeiro Moraes da Maia recolheu-se a este mosteiro, onde falleceu em 1176. D. Fr. Pedro de Chaves reformou-o em 1569, por ordem da princeza D. Joanna, mãe de D. Sebastião. - O templo é vasto e magnifico e construído com grande solidez. - O claustro, que a nossa gravura representa, é a parte menos antiga do convento. Tem 27 metros de comprido por 25 de largo. Os seus quatro lanços são abertos em arcos, sustentados por 122 columnas du­plas, cujos capiteis mostram, em grosseiros relevos, cabeças de mouros, harpias, leões, etc. No centro ha um elegante chafariz de pedra, com boas esculpturas, obra do principio do século XVIII. A galeria superior do claustro pertence á reedificação geral do mos­teiro, que principiou pelos annos de 1650. A infe­rior é, manifestamente, obra do século XII ou XIII. Foi o architecto Frei João Torreano, monge bene­dictino, quem delineou e dirigiu esta reconstrucção. Foi também este monge o architecto da reconstru­cção do mosteiro de Odivellas, do muro de Santa Cla­ra de Coimbra, do da Estrellinha em Lisboa, etc. - Depois de 1834, foi vendida a cerca e parte do edifício do mosteiro, que pertencia ainda não ha muito aos herdeiros do conde de S. Bento, sendo o resto des­tinado para o tribunal das audiências do juiz de direi­to, administração do concelho e suas dependências.
Pag. 45 - Padre Manuel Bernardes
É copiado d'um quadro existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa o que damos aqui do fecundo e imaginoso padre Manuel Bernardes, um dos clássicos portuguezes de mais justa reputação, o auctor in­comparável da Nova Floresta, da Luz e Calor, do Paraizo dos contemplativos, e de tantos outros livros de boa e sã leitura.
Pag. 48 - Túmulo de D. Francisco d'Albuquerque
Existe ainda na egreja da Serra, em Gôa, o tú­mulo que a nossa gravura representa, bem como os de D. Diogo de Noronha e Fernão de Albuquerque, cujos desenhos vém no primeiro volume da Índia Portuguesa, d'onde os mandámos copiar.
Pag. 49 - Luiz Pereira de Castro
O retrato d'este famigerado varão, que foi irmão do notável poeta Gabriel Pereira de Castro, cujo re­trato também adeante damos, e que representou bri­lhantemente o paiz, durante os primeiros tempos da Restauração, nas cortes estrangeiras, é copiado da rica collecção de diplomatas que compareceram no congresso de Munster, e de que existe um exemplar na Bibliotheca Publica.
Pag. 52 e 53 - Batalha naval em frente da ilha de S. Miguel, entre a armada de D. António e a armada castelhana.
Por ser característica e para assim dizer contem­porânea dos acontecimentos que representa, repro­duzimos esta interessante e curiosissima gravura, cujo original foi publicado pela primeira vez n'uma obra allemã de Albrecht Fursten, estampada em Munich em 1589, e depois copiada em fac-simile no volume 3.º dos Archivos dos Açores.
Pag. 57 - Egreja de S. Caetano em Gôa
A egreja e convento de S. Caetano da Divina Pro­videncia está situada ao norte do antigo Terreiro do Paço. Estes edifícios foram fundados em 1655 pelos clérigos regulares da ordem denominada dos Theatinos, os quaes, tendo vindo á Índia por ordem do papa Urbano VIII, para pregar a Fé no reino de Golconda, e não tendo podido alli entrar, resolveram re­sidir em Gôa. - Os primeiros clérigos da ordem dos Theatinos que appareceram em Gôa foram D. Pedro Avitabile, superior, D. Francisco .Mouco e D. António Maria Ardisone, italianos. - Desde 1640 até 1750 vie­ram para este convento cincoenta e seis professos e três noviços, todos europeus, dos quaes trinta e qua­tro chegaram a Gôa, treze falleceram nas missões e doze voltaram para a Europa. Não podendo aquella ordem conseguir que viessem mais religiosos da Eu­ropa, o prefeito D. Carlos José Fidelis, único italiano que então havia, obteve do seu superior auctorização para receber no convento os filhos de Gôa, o que foi confirmado por el rei D. José em 1750. - Os theati­nos, além do convento principal, tinham um hospício em Mallar, freguezia de S. Mathias. - O convento pri­mitivo era pouco amplo, e o noviciado, situado em volta do zimbório da egreja, tinha acanhadas dimen­sões. Mais tarde foi o noviciado transferido para o pavimento superior, e pouco antes da extincção da mencionada ordem, construiu-se o edifício, que hoje serve de residência aos governadores geraes, quando, por dever de cargo, têem de assistir ás festividades religiosas annualmente celebradas em Gôa. Foi o conde de Torres Novas quem mandou adaptar o con­vento para residência temporária dos governadores do Estado de Velha Gôa. - A egreja é ampla e magnificente, sendo a sua construcção modelada pela do grandioso templo de S. Pedro em Roma - De­baixo do altar-mor está situado o carneiro do con­vento, para onde foram trasladados do convento de Pangim, em 12 de novembro de 1842, os caixões que contêem os restos mortaes dos barões de Sabroso e do Candal, governadores geraes da Índia Portugueza. Modernamente foram também depositados n'aquelle carneiro os restos mortaes dos governadores João Tavares de Almeida e visconde de Sérgio, de onde vieram trasladados para Lisboa; bem como os do barão de Sabroso, segundo nos diz Lopes Mendes no notável livro Índia Portuguesa.
Pag. 61 - Francisco de Andrade Leitão
Bem como o retrato que a pag. 48 d'este volume publicamos de Luiz Pereira de Castro, o retrato que aqui damos de Francisco de Andrade Leitão é copia­do do que se encontra na collecção de retratos dos congressistas de Munster, realizado no meiado do século XVII. Tanto Francisco de Andrade Leitão como Luiz Pereira de Castro, se empenharam, baldadamente, junto das cortes da Europa, para a liber­tação do infante D. Duarte, tão atrozmente sacrifica­do ás ambições de Castella.
Pag. 64 - Túmulo de Fernão de Albuquerque
Veja-se o que acima fica dito acerca do túmulo de D. Francisco de Albuquerque.
Pag. 65 - Execução de prisioneiros de guerra, francezes, na Terceira
Bem como a gravura de pags. 53-54, é esta gra­vura reproduzida d'uma celebrada gravura contem­porânea que vem n'um livro de Albrecht Fursten, publicado em Munich em 1589. Esta gravura foi co­piada pelo sr. barão das Laranjeiras e reproduzida a pag. 156 do vol. 3º do Archivo dos Açores.
Pag. 69 - O bispo-conde D. Affonso Castello-Branco
Vem na excellente monographia Isabel de Aragão, o retrato d'este bispo conimbricense que tanto figu­rou - e bastante desairosamente - no tempo dos Philippes, e que d'esse livro para aqui reproduzi­mos. O retrato é copia d'um quadro do século XVII existente na sala das sessões da mesa da Misericór­dia, da cidade de Coimbra. Na sala capitular da Sé da mesma cidade existe outro retrato do mesmo bispo.
Pag. 72 - Real convento de Semide
Fica situado a duas léguas de Coimbra, n'um valle amplo e quasi ermo, o mosteiro que a nossa gravura representa, e do qual tomou posse o governo. Não vão decorridos mais de dois annos, depois que falleceu a sua ultima monja. A sua fundação data de 1354|, sendo seus fundadores D.João Anaya, bispo de Coim­bra, e D. Martinho, seu irmão, cavalleiro das hostes de D. Affonso Henriques em Ourique. Primitiva­mente este mosteiro foi destinado para monjes de S. Bento; só alguns annos depois é que passou para monjas. A quem desejar um estudo minucioso sobre este covento, recommendâmos a leitura do livro do sr. Lino de Assumpção, As Monjas de Semide, pu­blicado em 1900.
Pag. 73 - Philippe II de Hespanha e I de Portugal
E copiado do retrato que vem inserto na cele­brada Historia de Espanha de Lafuente o que n'este lugar reproduzimos.
Pag. 77 - Torre do Relógio
É bastante curiosa esta torre em Fronteira, cuja photographia devemos á amabilidade d'um nosso correspondente em Évora. Foi construída em 1613 e reconstrida em 1878, de que dá conta um letreiro que a nossa gravura deixa perceber entre o relógio e a pequena janella que lhe fica por baixo.
Pag. 80 - Túmulo de Diogo de Noronha
Leia-se o que linhas atraz deixámos dito acerca do túmulo de D. Francisco de Albuquerque.
Pag. 81 - Beja - Interior do castello e torre de menagem
É do Panorama que vamos transcrever a iescripção d'este famoso castello e sua torre, obra ma­gnifica mandada construir por D. Diniz. «A torre está erecta junto á Porta de Évora, quasi ao poente da cidade: na base é um quadrado perfeito e eleva-se em três corpos, que saem uns dos outros, medindo tudo, desde o chão até ás extremidades das ultimas ameias, cento e oitenta palmos: a sua largura no pri­meiro corpo é de cincoenta e cinco palmos, tendo de altura até ao terrado cento e vinte e oito palmos: - o segundo corpo mede trinta e quatro e meio palmos de alto e o ultimo dez e meio ditos. Contém o primeiro duas salas fechadas de abobadas, uma próxima da outra, a inferior oitavada e a superior de forma quadrada, com vinte e três palmos de largo; n'esta ha quatro janellas, uma em cada face, sendo a do norte mais alta e em forma de varanda; as outras três são divididas com uma columna ao meio formando dois arcos ponteagudos á góthica. No segundo corpo ha outra sala com uma única porta que dá para o terrado. O terceiro (em continuação do segundo por duas faces) tem um terrado de doze palmos por cinco de largura, ao qual dá serventia uma escadinha de pedra  do lado do Occidente. - Na primeira secção da Torre, que indicámos, vê-se uma cimalha, salien­te, cinco palmos de face da parede e ainda mais nos cantos o vão é fechado por um parapeito de seis pai mos de alto e quasi um e meio de grosso guarnecido em toda a circumferencia por sessenta columnellos quadrados, mas com as cabeças agudas, e que formam as ameias; nos cantos dos terrados, e na parte mais saliente da cimalha, bem como na varanda da segun­da sala, correspondendo aos intervallos dos cachor­ros que a sustentam, existem buracos redondos com um pé de diâmetro, que mostram ser abertos, não só para vigiar, como também para despedir armas de arremesso e outros defensivos contra os inimigos que se approximassem da raiz da torre: nas duas se­cções superiores ha eguaes ameias com proporções mais diminutas: alguns columnellos ao norte e ao soeste estão derrubados, bem como o parapeito e ci­malha intermédia, tanto pela violência de um raio, que tocou por aquelle lado, como por alguns presos que, encarcerados na torre, se divertiam em destruil-as: é esta a única, se bem que pequena, ruina que em toda a construcção se descobre. - Para se entrar na torre sobe-se uma pequena rampa e depois trinta degraus até á primeira sala, que tem servido de cala­bouço aos soldados do 15º batalhão, e não tem outra luz mais que a de três agulheiros redondos nas faces da torre e a que lhe entra pela porta quando se abre. Á esquerda d'esta porta e por um angulo da torre, sobe se uma escada de caracol embutida na grossura da  parede, de oitenta e três degraus, que consente duas pessoas a par, e dá entrada ás salas superiores da terceira das quaes se continuam por differentes lances até o terrado ultimo mais setenta degraus que prefazem ao todo (com os já mencionados) cento e oitenta e três degraus de cantaria, afora a elevação da rampa, que talvez teria sido escada: a luz que allumia em toda a subida entra por frestas, que deixa­ram nas paredes - Além das três salas ou pavimentos tem vestigios de casas quasi subterrâneas que se communicavam com outros edifícios, de que se conserva  ténue  parte, e inculcam ter sido o paço, que dizem fundara D. Diniz na contiguidade da torre e formava o lado septentrional de uma praça hoje cheia de entulhos e ruínas, para a qual se entra por duas portas de arcos, tendo no intervallo de ambos um suficiente  pateo. - Do alto da torre avista-se uma famosa e dilatada perspectiva descobrindo se umas villas e logares, differentes serras, o Guadiana e até o castello de Palmeia na distancia de dezoito léguas» - N'esta torre esteve proso, e mais tarde foi morto pelo povo de Beja, o celebre almirante de Portugal Lançarote Peçanha, por seguir a parcialidade da rai­nha D. Leonor Telles e a del-rei de Castella D. João I, seu genro, contra o nosso Mestre de Aviz, depois D. João I.
Pag. 84 e 85 - Vista de Lisboa no século XVII
As palavras explicativas que acompanham a gra­vura em questão dispensam-nos de quaesquer outras indicações justificativas do seu apparecimento na nossa edição da Historia.
Pag. 89 - Thomar - Santa Maria dos Olivaes
É um bom templo, do tempo dos Templários, mas está muito mais baixo do que o solo, de maneira que é preciso descer 17 degraus para chegar ao seu pavimento. Da sua fundação pelos Templários apenas resta a fachada principal; tudo o mais foi substituído pejas reparações feitas por D. Manuel e D. João III. Para mais larga informação veja-se A Ordem de Christo, livro ainda n'este anno de 1901 publicado nos prelos da «Empreza da Historia de Portugal».
Pag. 93 - Fr. Bernardo de Brito
Sob o nº 9 da Noticia dos retratos em tela exis­tentes na Bibliotheca Nacional de Lisboa, trabalho elaborado pelo sr. Gabriel Pereira, encontramos a in­dicação da existência do retraio do illustre chronista D. Fr. Bernardo de Brito, e logo o mandámos copiar, para figurar, como de justiça, na nossa já opulenta galeria de retratos de varões portuguezes notáveis.
Pag. 96 - Arganil - Capella de S. Pedro
Um pouco antes da entrada da villa de Arganil, da banda esquerda, no sitio onde se encontram raros ves­tigios de ruinas de uma antiga povoação, é que se encontra a capella cujo aspecto exterior a nossa gra­vura representa. É de architectura gothica e é tradição que foi mesquita de mouros.
Pag. 97 - Entrada de Philippe II em Lisboa
Veja-se a pag. 30 d'este volume da nossa Historia a descripção da scena que a gravura reproduz.
Pag. 101 - Ruy de Pina
Não calcula o leitor, ao vêr para aqui reproduzi­das as centenas de retratos que a nossa edição da Historia de Portugal comporta, as difficuldades e os trabalhos que nos foi preciso remover para conseguir­mos o nosso desideratum. Com este deu-se mais uma vez esse caso, sendo devido á amabilidade d'um es­trangeiro muito distincto e que muito ama as coisas da nossa terra, o sr. Guilherme João Carlos Henriques, que conseguimos a devida auctorisação para ser copiado do original da Chronica de Ruy de Pina, o retrato do notável chronista, que é representado numa linda miniatura com que abre o precioso códice, e existe na riquíssima bibliotheca da Torre do Tombo.
Pag. 104 - Niza - Fonte do Frade
Não são muitas as obras de arte de que a villa de Niza, de tão antiga tradição, se possa orgulhar; contudo é tão graciosa a sua fonte principal, que não podemos resistir ao prazer de a mandarmos aqui re­produzir.
Pag. 105 - Egreja do Monte do Vigário Geral em Velha Gôa
É de magnifica construcção e ainda se conserva em excellente estado esta famosa egreja, restos da nossa antiga preponderância n'aquellas regiões do Ul­tramar.
Pag. 109 - Fr. Francisco Leitão
O retrato d'este illustre prelado é copiado de um das telas «sem moldura em mau e em péssimo estado de conservação», existentes na Bibliotheca Nacional de Lisboa, e foi-nos apontado pela noticia d'esses re­tratos elaborada pelo sr. Gabriel Pereira.
Pag. 112 - Paço dos Marquezes de Villa Real
Entre os edifícios mais antigos d'esta antiquíssima villa, avultam ao Campo do Tabolado as ruinas da nobilíssima Casa do Arco, assim denominada por ter sobre a rua próxima um arco de granito com uma capella em que se celebrava missa que o povo ouvia da rua, arco e capella que foram demolidos pela ca­mará em 18 de outubro de 1856, para desaffrontar a dita rua - Este edifício soffreu muitas reconstrucções, mas ainda conserva um lanço com ameias e algumas janellas e portas ogivaes; era bastante espaçoso, pois tem 200 palmos de frente, e, pelo dito arco, prendia com muitas casas, que foram dependência d'elle, na rua Nova do Arco e na da Ferraria. - Era o palácio dos Marquezes de Villa Real; depois de extinctos, passou para o infantado, e da casa do infantado pas­sou, por emprazamento, para os ascendentes dos Gue­des Pereiras Pintos de Athaide Malafaias, ainda hoje seus possuidores. Portugal Antigo e Moderno, vol. 11º, pag. 995 e 996.
Pag. 113 - Naufrágio da Invencível Armada
D'uma bella gravura representando este naufrágio que foi o ponto de partida da queda do grande im­pério fundado por Carlos V, mandámos copiar a que a nossa estampa representa. A scena d'este desas­troso naufrágio vem a pag. 591 do 4.º vol. da Historia.
Pag. 117 - D. Rodrigo da Costa
D. Rodrigo de Castro, e não da Costa como por lapso typographico apresenta a epigraphe, foi um dos fidalgos que acompanharam D. Sebastião na desas­trosa batalha de Alcácer Quibir, onde perdeu a vida. O retrato d'onde foi reproduzido directamente o que apresentamos aos nossos leitores, existe na opulenta galeria de quadros da Bibiotheca Publica de Évora.
Pag. 120 - Porta principal da entrada da villa de Óbidos
Já n'um dos volumes precedentes dêmos conta das muralhas da villa, para que a repitamos. Por isso para a sua descripção terá o leitor o incommodo de a procurar n'essa notici.
Pag. 121 - Egreja de S. Domingos em Villa Real
Uma vez mais recorremos ao Portugal Antigo e Moderno, repositório riquíssimo de apontamentos históricos, para a elaboração da pequena noticia acerca d'este velho mosteiro. Tentando os frades dominicos de Guimarães fundar um convento da sua ordem em Villa Real, obtiveram auctorização apos­tólica por bulla do papa Martinho V, e licença do arcebispo de Braga D Fernando. - Escreveu tam­bém D. João I a Martinho Affonso, seu contador na província de Traz os Montes, dizendo lhe que, tendo resolvido fundar n'esta villa um convento em honra de S. Domingos, fosse elle com o padre mestre Fr. Francisco, da dita ordem, escolher n'esta villa ou no seu arrabalde, o sitio mais apropriado para a sua fundação, o qual assim o fez com prévio accôrdo e consentimento dos juizes, vereadores, procuradores e homens bons de Villa Real e do Dr. Fr. Vasco de Guimarães, prior do convento da mesma ordem n'aquella villa, hoje cidade. - Escolheram elles o ter­reno, a Camará também em parte o deu do seu, e D. João I approvou e confirmou tudo. Principiaram as obras em 1422 e os diversos reis que se succederam todos elles fizeram grandes benefícios ao mos­teiro. Em 1728 foi reformado o dormitório, e fez-se a torre, a tribuna e o retábulo do altar mor; em 1755 foi reformada a capella-mór; em 1765 foi restaurado o coro e guarnecido com cadeiras de pau preto. Extinctas as ordens religiosas, em 1834, foi a egreja ce­dida ao parocho de S. Pedro e em junho de 1835, foi entregue ao reitor de S. Diniz para sede da parochia. Em 1837 ardeu o convento, suppondo-se que fora incendiado de propósito pelo commandante de caça­dores que então alli estava aquartellado, o celebre major Painço, para saldar as contas com a caixa do batalhão. Mais tarde e a pouco e pouco foi se res­taurando o convento e egreja, que está hoje limpa e muito decente. Esta egreja tem três naves sobre seis columnas de pedra, formando arcos em ogiva, tecto liso e branco, e na capella mór um bom retábulo de talha dourada, do ultimo século. No corpo da egreja tem 4 altares lateraes feitos de novo, sendo dois muito elegantes, muito apparatosos e bem dourados
Pag. 125 - Duque de Lerma
Reproduzimos para aqui d'uma publicação illustrada hespanhola de muito credito o retrato d'este ministro de Philippe II, porque não podia deixar de figurar na nossa galeria o retrato de um personagem que tanta influencia teve nos acontecimentos de Por­tugal, durante a dominação hespanhola.
Pag. 128 - Beja - Santo André
Por tradição muito antiga, assenta-se ter sido fun­dada esta capella em memória da ultima restauração de Beja do poder dos Mouros, operada pelo capitão Fernão Gonçalves a 30 de novembro de 1162, dia do Apostolo santo André. Lá o diz André de Rezende nas suas Antiguidades : «AEra. MCC, pridie Kalendas Decembris, in nocte S. Andre Apostoli Civitas Paca, id est, Regia, ab hominibus régis Portugalis domini Alfonsi, videlicet Ferdinando Gonsalvi, et quibusdam aliis plebeiis militibus nocte invaditur, et viriliter capitur, et a christianis possidetur anno regni ejus 25.»
Pag. 129 - Luiz de Camões em Coimbra
O desenho representa um recanto da Fonte dos Amores, em Coimbra, onde, é tradição, fora assassinada D. lgnez de Castro. Camões, nos seus tempos de Coimbra, divagava pelo local que lhe inspirou aquella formosíssima estancia do canto 5º D'Os Lusíadas, que principia: As filhas do Mondego a morte escura / Longo tempo chorando memoraram, pensando na composição do bello episódio do seu poema em que ímmortalizou lgnez de Castro. - Foi Luiz de Camões o primeiro poeta que celebrou, com os amores tie lgnez, a Fonte dos Amores, que até então tinha passado desapercebida e tanto que um poeta, Ignacio de Moraes, cantando as bellezas de Coimbra em 1554, 18 annos antes da apparição dos Lusíadas, ao cantar a Fonte das Amores, no seu livro Conimbricae encomia, não se refere aos amores de lgnez. - Camões é que a immortalizou e revestiu da lenda que ainda a envolve, não obstante a critica dos eruditos. Sobre a impugnação da lenda da Fonte dos Amores, veja-se o primoroso trabalho do sr. dr. António Garcia de Vasconcellos, D. Isabel de Aragão, e um artigo do sr. Valle e Sousa no Branco e Negro.
Pag. 133 - D. Manuel da Cunha, bispo de Elvas
Foi copiado o presente retrato dos «Retratos em tela sem moldura em mau e em péssimo estado de conservação» existentes na Bibliolheca Nacional de Lisboa, segundo a Noticia elaborada pelo sr. Gabriel Pereira. Este D. Manuel da Cunha foi capellão mór de D. João IV e de D. Affonso VI, e eleito mais tarde successivamente arcebispo de Évora e de Lisboa. Foi elle o fundador do convento de Olhaivo. Falleceu em 1658, com 64 annos de edade
Pag. 136 - Vista do castello de Obidos, lado norte
Veja-se acerca das muralhas e do castello de Obidos o que já ficou dito nos volumes precedentes, quando explicámos outras gravuras que d'aquella villa publicámos n'esses mesmos volumes.
Pag. 137 - Paço dos Marquezes de Villa Real
Veja-se o que acima dizemos, na noticia com que acompanhamos outra gravura do mesmo curioso palácio.
Pag. 141 - Philippe III de Hespanha e II de Portugal
Da Iconographia de Carderera, que tão bons ele­mentos nos tem fornecido para enriquecermos a nossa galeria de retratos, copiámos o deste monarcha cas­telhano.
Pag. 144 - Pelourinho e chafariz da Praça de Óbidos
Ficam ambos situados na praça principal da for­mosa villa, acerca da qual por mais de uma vez nos temos referido nas notas com que temos acompanha­do os volumes precedentes da nossa Historia.
Pag. 145 - Atrocidades dos Hollandezes em Moçambique
São frequentemente accusados de atrocidades praticadas em domínios de além mar os Portuguezes e os Hespanhoes, quando da conquista d'essas longiquas regiões; certo não é cousa para elogios; de que, porém, se não deviam esquecer os que de tal nos accusam, e que são principalmente os estrangeiros, é de que os hollandezes, em epochas muito mais pró­ximas, como é o século XVII, também deram o seu contingente muito rasoavel para a historia das cruel­dades practicadas pelo homem sobre o seu similhante, como se lê a pag. 38 d'este 5.º vol. da nossa Histo­ria, representando a nossa gravura uma d'essas scenas de cannibalismo.
Pag. 149 - Ruy Lourenço de Tavora
O retrato d'este governador da Índia, é feito so­bre o que existe no livro, por nós já tantas vezes ci­tado n'estas nossas notas, que se conserva na bibliotheca Nacional de Lisboa, e onde vêm os retratos de todos os vice-reis e governadores da Índia.
Pag. 152 - Interior da egreja de S. Domingos em Vilia Real
O que linhas atraz fica dito acerca d'esta egreja e respectivo convento, dispensa-nos de darmos aqui mais pormenores.
Pag. 153 - Beja - Convento da Conceição e resto do Paço dos Infantes
O convento de Nossa Senhora da Conceição de Religiosas da ordem de S. Francisco, dentro da ci­dade, entre a porta de Mertola, e as egrejas de Santa Maria e S. João Baptista, foi fundado pelos infantes D. Fernando e D. Brites, pães d'el-rei D. Manuel, os quaes ambos teem jazigo n'aquelle magnifico mos­teiro. - Sobre a data da sua fundação devo dizer que encontrei noticia de dois Breves, um de Pio II e outro de Paulo II. - Pelo primeiro parece terem D. Affonso V e seu irmão o infante D. Fernando al­cançado licença pontifícia para edificarem um mos­teiro no local onde já existia o Recolhimento de Bea­tas Seculares, com o intento de serem as religiosas que o povoassem - Capuchas com pobresa rigorosa. - As pretendentes, porém, ao claustro não queriam sugeitar se a uma regra tão austera, e força foi que os mesmos Príncipes obtivessem de Paulo II um Breve para moderar aquelle rigor; este ultimo é de 1469. Ora é sabido que Pio II governou a Egreja desde 1458 até 1464 e Paulo II desde 1464 até 1471; e, por consequência não é temeridade fixar a fundação d'este Convento pelos annos de 1460 a 1461, tanto mais quanto obtive noticia de uma doação feita ao Convento em 17 de outubro de 1461 por Leonor Affonso, de Serpa, na qual se lêem estas palavras: «Ao Mosteiro que ora manda fazer em Beja o infante D. Fernando». - Junto a este convento, ao qual os soberanos portuguezes sempre liberalizaram a mais distincta protecção, deita, para a banda do norte, o antigo Palácio dos Infantes, para o qual dão serventia dois passadiços, que o communicam com o convento. - A infanta D. Brites foi sepultada dentro da Clau­sura em sepultura rasa em um carneiro que está de­baixo do claustro de S. João Baptista, como certifica um epitaphio que está na pedra em lettra gothica, e diz assim: «Aqui jaz a Infanta D. Brites que falleceu em 1500, de edade de setenta e sete annos». - Em seu testamento recommenda D. Manuel a seu filho D. João III o convento da Conceição de Beja, onde seus pães jaziam sepultados. José Silvestre Ribeiro, Beja no anno de 1845.
Pag. 157 - Gabriel Pereira de Castro
Cavalleiro de Christo, doutor em direito canónico, lente da Universidade de Coimbra, desembargador da Relação do Porto e da casa da Supplicação de Lis­boa, corregedor do crime da Corte e Casa, procura­dor geral das ordens militares, ultimamente nomeado chanceller-mór do reino; nasceu em Braga, a 7 de fevereiro de 1571 e morreu em Lisboa a 18 de outu­bro de 1632, sendo sepultado no extincto convento de S. Vicente de Fora. - Pereira de Castro escreveu entre outras obras o poema intitulado Ulysséa ou Lisboa edificada, muito celebrado. Tem na sua vida uma mácula que a Historia não pode olvidar, qual foi a de haver condemnado iniquamente a morte affrontosa e afflictiva a Simão Lopes Solis preten­dido auctor do roubo e desacato commettidos em a noite de 15 de janeiro de 163o na egreja parochial de Santa Engracia em Lisboa, crime de que o condemnado estava innocente. Gabriel Pereira foi casado com D. Joanna de Sousa, de cujo matrimonio teve um filho, Fernão Pereira de Castro, que ficou prisioneiro no Alemtejo e morreu no cárcere de Granada, e duas filhas, D. Anna e D. Juliana. O vin­culo, que instituiu, passou, por falta de varões, para seu irmão Luiz Pereira de Castro. - O retrato que publicamos é copia fiel do que existe no tecto dos Paços do Concelho de Lisboa, obra do fallecido pin­tor Chaves, ignorando-se de que documento se ser­viu para o reproduzir.
Pag. 160 - Capella de S. Braz em Villa Real
É uma das mais antigas e mais notáveis da pro­víncia de Traz os Montes e está collada e unida á egreja de S. Diniz, porque não ousaram demolil-a nem removel-a, quando nos fins do século XV foi res­taurada e ampliada a egreja, prolongando-se até á dita capella, ainda hoje possuída por uma descen­dente da família Teixeira Coelho á qual andava vin­culada desde séculos muito remotos. Esta capella era jazigo d'aquella nobre família, como o revelam os cinco mausoleos, que ainda hoje conserva, mettidos em arcos nas paredes com sepulturas elevadas.
Pag. 161 - Feitos de Salvador Ribeiro
A heróica façanha do denodado rei do Pegú re­presentada pela nossa gravura vem minuciosamente descripta a pag. 39 d'este 5.º vol. da nossa Historia.
Pag. 165 - D. Miguel de Noronha
Foi copiado este retrato do livro tantas vezes por nós citado, que se encontra na Bibliotheca Nacional de Lisboa, onde vêm os retratos de todos os gover­nadores da Índia, a cujo numero pertence D. Miguel de Noronha.
Pag. 168 - Baixo-relevo em Sernache dos Alhos
Sernache dos Alhos, hoje simples aldeia e freguezia, que fica a duas léguas de Coimbra, foi villa, teve pelourinho, foral doado por D. Manuel, misericórdia, e hospital fundado por elle ou por algum dos descendentes de Alvariannes Cernache, cavalleiro armado por D. João I, anadel-mór dos besteiros de cavallo, e alferes da Ala dos Namorados na batalha de Aljubarrota, e que falleceu em 1442 e jaz n'um convento de Villa Nova de Gaya. Os seus descendentes usaram o nome de Sernache. Por Alvariannes ser natural de aquella villa tomou ella o seu nome, ou elle o d'ella. - N'esta villa houve prelos em 1399, onde imprimiu António Mariz (o celebre impressor de obras gregas). Na terra poucos vestígios existem de antiguidade, pois está destruído o pelourinho e o hospital, cuja casa tinha ornamentações Renascença, e varias outras moradias particulares antigas. - Na egreja, parte da capella-mór e a sacristia que lhe fica por detraz de­notam uma certa epocha (século XIV ou XV), bem como o baixo-relevo que reproduzimos e que está na pa­rede interior da sacristia. Temendo algum vandalis­mo, o actual bispo-conde já desejou transportal-o para o Museu Archeologico do Instituto de Coimbra; mas a junta de parochia oppozse a isso. - O resto da egreja é todo moderno, excepto quatro capellas lateraes (Renascença) fins do século XVI, mas que, pin­tadas e caiadas, escondem a sua belleza. O baixo-re­levo, que é em mármore branco, mede 1m x 0m,50.
Pag. 169 - Fr. Gaspar dos Anjos e Fr. Athanasio de Jesus
Reproduzimos aqui, por curioso, este quadro cujo original se encontra na Bibliotheca Nacional de Lis­boa, e cuja noticia extractámos da relação elaborada pelo sr. Gabriel Pereira. Dizem as chronicas n'aquelle tom mystico que é peculiar ás chronicas fradescas, que eram «ambos religiosos de Santo Agostinho, e que indo para a missão do reino de Mina, encontraram uma náu de herejes e pelejaram largo tempo, ficando presa a náu em que iam estes padres; mas os herejes dando liberdade a todos, não perdoaram aos ditos padres que depois mataram cruelmente em ódio da fé catholica que pregavam os lançaram ao mar, em cujo martírio deram as almas aos 19 de março de 1575».
Pag. 173 - Conde-Duque do Olivares
Reproduziu se dum quadro celebre o retrato d'este famoso ministro de Phihppe III, cuja funesta influen­cia tanto contribuiu para os desastres de Portugal, durante a dominação philippina.
Pag. 176 - Castello de Vide - Arco de Aramenha
Constituiu o arco que a nossa gravura representa uma das portas da cidade de Aramenha ou de Medobriga, que, em tempo dos Romanos, existiu dentro do terreno que hoje constitue o concelho de Marvão. Esse arco foi transferido, no século passado, como monumento da cidade destruída, para Castello de Vide, onde lhe deram egual applicação. Sobre a porta a que elle deu logar existiu a inscripção do facto.
Pag. 177 - Illustração ao canto XXI do «Segundo Cerco de Diu»
Dissera se que o auctor d'este famoso poema, um dos mais inspirados da litteratura portugueza, fora illustrado, em cada um dos cantos, pelo seu próprio auctor, Jeronymo Corte Real; estas illustrações, porém, não se encontravam; mas, passado tempo, um amigo dedicado d'esta publicação e que para illus­tração d'ella tem concorrido d'uma forma digna de todo o elogio, apoz longos e penosos passos, logrou alfim encontrar uma d'essas illustrações, conseguindo de seu possuidor uma photo-gravura similica de tal estampa, que nos foi confiada e da qual mandámos reproduzir a que o leitor tem em sua presença. É, como se vê, uma composição symbolica. O retrato que se encontra á esquerda é o do infante D. Duarte, filho de D. Manuel. O original manuscripto do poe­ma e das respectivas estampas existe em casa dos srs. duques de Cadaval.
Pag. 181 - Infante D. Duarte
Este rettato do infante D. Duarte, filho de D. Manuel, é ampliado do que se encontra no desenho de pag. 177 d'este volume, de cuja proveniência já aci­ma dêmos explicação.
Pag. 184 - Cálice de Briteiros
Pertence a S. Salvador de Briteiros, Guimarães, o cálice que a nossa gravura representa. É de cobre, excepto a copa, que não pôde deixar de ser de prata dourada, mede de altura 0m,30 e tem na copa 0m,08 de diâmetro. O nó, bastante desenvolvido, é bem lavrado, como a base que se divide em seis gomos com emblemas, e em dois d'elles as palavras: Briteiros e Bravo, designando a primeira a freguezia a que per­tence e a segunda provavelmente o sobrenome do offerente.
Pag. 185 - Faro - Egreja da Se
A Sé de Faro é, no dizer de João Baptista da Sil­va Lopes, (Chorographia ou Memória económica, es­tatística e topographíca do reino do Algarve) um templo espaçoso de três naves, que nada tem de no­tável mais do que a sua antiguidade ainda do tempo dos Mouros, dos quaes era mesquita; sendo purifi­cada se estabeleceu n'ella o collegio de Santa Maria, da ordem de S. Thiago, d'onde passou para a egreja de S. Pedro, quando, para a outra foi transferida a Sé, a qual está situada em um terreno, com as casas da camará separadas pequeno espaço, e o palácio do bispo ao lado, muito simples, mas que encerram boas pinturas.
Pag. 189 - D. Luiza de Gusmão
É  mais um dos retratos que reproduzimos do inestimável livro Retratos e Elogios de Varões e Donas, etc, o d'esta intelligente e viril esposa de D. João IV.
Pag. 192 - Pelourinho da Villa da Lousa
Este pelourinho erguia-se antigamente no meio da pequena praça da Camará de Lousa; mas como ameaçasse ruina, foi transferido para o cunhal da es­quina da mesma casa da camará e ahi seguro com uns gatos de ferro. Compunha-se de uma columna, tendo ao cimo três cabeças toscamente gravadas, e que o povo dizia serem dos três Filippes. Mais tarde foi demolido pelo vandalismo d'alguma vereação, não se sabendo o destino que levou.
Pag. 193 - Defeza de Ormuz
Descreve-se a pag. 50 do vol. 5.º da Historia este feito de armas revelador da antiga heroicidade por­tugueza, n'um momento em que principiava a deca­dência d'este velho e altivo paiz.
Pag. 197 - Braz Garcia Mascarenhas
Mandámos copiar este retrato do illustre auctor do Viriato Trágico, d'aquelle com que abre a inte­ressante monographia seguida d'um drama histórico do sr. visconde de Sanches de Frias, O Poeta Garcia.
Pag. 200 - Interior do Palácio do Conde de Óbidos, no Castello
Para a noticia geral do castello e muralhas de Óbidos, veja-se o que sobre o assumpto já ficou dito nas notas com que rematam os precedentes volumes da Historia.
Pag. 201 - Sé de Portalegre
Quando elevada Portalegre a sede do bispado, em tempo de D. João III, o bispo que tomou conta do seu logar, escolheu para cathedral a egreja de Santa Maria de Castella, da ordem de Aviz, encorporando nas suas rendas, com permissão do rei, como grão mestre das três ordens militares as das outras duas egrejas, Santa Maria a Grande, da ordem de Christo e S. Vicente, da ordem de S.Thiago. Como a egreja de Santa Maria de Castello, que era muito antiga, amea­çava ruina, foi preciso abandonal-a, depois de erigir uma nova cathedral, á qual lançou a primeira pedra, a 14 de maio de 1556, o próprio D. Julião d'Alva, dedicando-a a Nossa Senhora da Assumpção, como as demais cathedraes do reino - Sobre a porta prin­cipal da egreja se lê uma inscripção, que commemora este facto. - Foi esta porta substituída por um magestoso pórtico, de columnas monolithicas, de mármore preto, mandado construir pelo bispo, D. Manuel Tavares - Sendo D. Julião d'Alva feito bispo de Miranda (1557) por fallecimento do seu compa­nheiro e amigo D. Thoribio Lopes, lhe succedeu na mitra de Portalegre D André de Noronha, que prosseguiu nas obras da nova Sé, que seu successor, D. Frei Amador Arraes, concluiu, mandando construir o retábulo da capella mor, que intesta na abobada e no tecto, e delicadamente pintado e dourado, collocando n'elle a formosíssima imagem de Nossa Senhora e o retábulo da capella de Nossa Senhora do Carmo, que custou 3:ooo cruzados (1:200$000). Deu ainda reis 40$000, para o retábulo da capella do Santíssimo Sacramento e egual quantia para a capella de S. Pe­dro. - Á sua custa se pintou e dourou a capella das Chagas e se lageou e ladrilhou todo o templo. - Mandou concluir a torre do relógio; mas foi o seu successor, D. Diogo Correia, quem deu o relógio. - Foi também D. Frei Amador Arraes, que construiu o paço episcopal e o seminário diocesano e outras muitas obras de menos importância. - Resgatou to­dos os seus diocesanos que tinham ficado captivos na África, na infeliz batalha de Alcacer-Quibir. Offereceu 5:000 cruzados a D. Filippe II para a inven­cível armada, etc. - A Sé de Portalegre é de três naves sendo a do centro guarnecida por um sum­ptuoso guarda-vento mandado construir pelo bispo D. Manuel Tavares Coutinho e Silva, extendendo-se sobre as suas três naves, logo á entrada, um amplo coro, dado pelo bispo D. João Mascarenhas. D. Ma­nuel Tavares foi um prelado generoso, que deu á sua Sé ricos paramentos e banquetas de prata, concluiu o claustro principiado pelo seu predecessor D. Álvaro Pires de Castro, fez a casa do cabido, ampliou o paço episcopal e o seminário, etc. No volume 7 do Portugal Antigo e Moderno, se encontram preciosas indi­cações acerca d'este notável monumento", e foi de lá que extrahimos os ligeiros apontamentos que ahi fi­cam notificados.
Pag. 205 - D. Sebastião Monteiro - Arcebispo da Bania
Reproduziu-se de um retrato existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa o que aqui publicámos d'este prelado, que tão grande papel representou na historia das luctas do Brazil com os Hollandezes, logo depois da restauração de Portugal.
Pag. 208 - Capella-mór e sacristia da egreja de Sernache dos Alhos
Acerca d'esta egreja, da terra em que está edifi­cada, etc, já demos os apontamentos sufficientes quando tractámos, a pags. 618 do baixo-relevo existente na mesma tgreja.
Pag. 209 - Princípios do reinado de Philippe III - O povo amotinado apedrejando os paços do vice-rei.
A descripção da scena representada pela nossa gravura lê-se a  Pag. 24 do 5.º volume desta edição da Historia.
Pag. 213 - D. Pedro de Mascarenhas
Á mesma fonte a que temos recorrido para a reproducção dos retratos dos governadores da Índia, que existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa, recor­remos para a cópia de mais este.
Pag. 216 - Vista do castello de Óbidos - Parte Norte
Para a noticia d'este castello e resto das antigas fortificações de Óbidos, veja-se o que fica dito nas notas dos precedentes volumes, acerca da antiga villa de Óbidos.
Pag. 217 - Porta principal da egreja de S. Fran­cisco, em Guimarães
Esta porta é o que resta intacto da primitiva fa­chada da egreja de S. Francisco, cuja construcção foi auctorizada por D. João I em carta que escreveu de Braga no dia 3 de novembro de 1438. A primeira fun­dação do convento tivera logar na Fonte Santa, em tempo de D. Affonso II. Para pormenores, muito cu­riosos acerca d'esta egreja e convento e sua descri­pção completa, leia-se o interessante livro de Albano Bellino, Archeologia Christã, sahido ainda não ha muitos mezes dos prelos da «Empreza da Historia de Portugal».
Pag. 221 - Francisco Barreto
É mais um dos retratos copiados do, por tantas vezes, já citado livro existente na Bibliotheca Nacio­nal de Lisboa, onde vem os de todos os governadores da Índia Portugueza.
Pag. 224 - Casa de Miguel de Vasconcellos em Vianna do Castello
Defronte da egreja matriz de Vianna do Castello, na esquina da rua do Paço, encontra-se uma casa de dois andares - a que a nossa gravura representa - cujo estylo architectonico, renascença, denuncia o meiado do século XVI, e, como consta da inscripção, foi mandada fazer por João Jacomo de Lima, ascen­dente do tristemente celebre secretario de estado, Mi­guel de Vasconcellos. Aqui viveu o ultimo commendador de Malta, professo, António Taveira Pimentel de Carvalho, fallecido em 1864.
Pag. 225 - Motins em Évora - Os insurrectos levando em triumpho o juiz do povo e o escrivão
Esta gravura, reveladora de grande estudo e rigor histórico da parte do seu auctor, o notável illustrador da nossa Historia, reproduz a scena magistral­mente descripta por Pinheiro Chagas a pag. 93 do 5.º volume da nossa Historia.
Pag. 229 - D. João IV
É copiado d'um dos mais authenticos retratos do fundador da dynastia de Bragança, de que ha grande abundância, o que aqui damos d'aquelle monarcha.
Pag. 232 - Sé de Faro - Outro aspecto
Já a pag. 619 d'este volume ficou dito o que, em tão pequeno espaço, como aquelle de que dispomos, podíamos consagrar á descripção d aquelle velho mo­numento christão.
Pag. 233 - Sé de Leiria
E templo sumptuoso, de três naves e nove altares, corre como opinião geral que D. Fr. Gaspar do Ce-sal o edificou desde os alicerces á sua custa, lançan­do-se lhe a primeira pedra em 11 de agosto de i55q, como induz a acreditar a inscripção que está na fa­chada do templo; no entretanto é facto controverso. É um dos mais vastos e sumptuosos templos de Por­tugal, e, como todas as iemais cathedraes do reino, dedicado a Nossa Senhora da Assumpção. Fica-lhe contíguo o Paço Episcopal. - Antes de se fazer este templo, que outros querem que fosse mandado edi­ficar por D. João III, servia de Sé a egreja de Nossa Senhora da Pena, dentro do castello, que D. Affonso I edificou e D. Diniz reconstruiu em 1292. Era uma egreja pequena e está hoje desmantelada.
Pag. 237 - Ayres de Saldanha
Sendo, como foi, governador da Índia, já o leitor sabe d'onde foi copiado o retrato que aqui damos de Ayres de Saldanha.
Pag. 240 - Casa e capella dos Malheiros Reymões
É um dos edifícios de Vianna do Castello mais dignos de especial menção, pela sua belleza architectonica. Tomou o nome da família sua proprietária, á qual pertenceu o bispo de Angola, e depois do Rio de Janeiro, D. Fr. António do Desterro Malheiro, que teve 14 irmãos e irmãs, casando uma d'estas, D. Suzanna, na casa dos Falcões de Braga, com Manuel Falcão Gotta, fidalgo da casa-real, de quem ha des­cendentes.
Pag. 241 - A conspiração de 1640
Leia-se a pags. 148 e seguintes deste vol. da Histo­ria a narração d'esta conspiração, cujos resultados fo­ram a emancipação de Portugal do jugo philippino.
Pag. 245 - D. Jeronymo de Athaide
Uma troca de gravuras, muito parecidas e de egual tamanho, deu logar ao erro que aqui rectificámos, pondo as cousas no seu logar. O retrato que aqui apresentámos é o de D. Jeronymo de Athayde, e não de Ruy Lourenço de Tavora; bem como é justamente o de Ruy Lourenço de Tavora o que a deante, a pa­ginas 320, foi publicado com a designação de D. Je­ronymo de Athayde. - D. Jeronymo de Athayde, con­de de Athouguia, era o filho primogénito da celebre D. Filippa de Vilhena. O seu retrato é copiado do que existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 248 - Porta lateral dos Jeronymos
É erradamente classificada de lateral esta porta, que devia ser a principal, justamente por ficar em frente do altar-mór da egreja dos Jeronymos; como, porém, por incompleta, é menos rica do que a ver­dadeira porta lateral, cuja reproducção já dêmos a pag. 377 do vol 3.º da nossa Historia, ficou aquella tomando o nome de lateral. Quanto ao que poderiamos dizer acerca da riqueza artística dos Jeronymos, pode o leitor encontrar maior noticia a pags. 620 do vol. 3.º d'esta mesma edição da Historia de Por­tugal.
Pag. 249 - D. Franoisco da Gama
Este retrato, bem como os de vários outros go­vernadores da Índia, foi reproduzido do já citado li­vro existente na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 253 - Capella de Santa Clara da Vidigueira
É muito curiosa e está pittorescamente situada esta capellmha, que constitue um dos encantos da formosa villa do Alemtejo.
Pag. 256 - Padrões da revolução de 1640 no palácio dos Condes de Almada
São duas torrinhas ameiadas construídas de tijo­los que um D. Antão de Almada, em memória da gloriosa revolução de 1640, mandou erigir sobre o telhado do paço, na frente que deita para as escadinhas da Barroca, onde ainda se podem vêr tal qual a nossa gravura as representa.
Pag. 257 - Filippa de Vilhena armando seus filhos
Esta scena, cujo assumpto serviu de thema para uma das mais formosas producções do theatro portuguez, a famigerada comedia de Almeida Garrett D. Filippa de Vilhena, vem descripta a traços largos a pag. 163 do 5.º vol. da Historia. (Ilustração de Alberto de Sousa)
Pag. 261 - Egreja de S. Thiago em Almada
É bastante antiga a origem d'esta capella; mas o que agora se vê é reconstrucção do infante D. Antó­nio, irmão de D. João V.
Pag. 264 - D. Jeronymo de Azevedo
Mais um retrato copiado do celebrado livro exis­tente na Bibliotheca Publica de Lisboa, onde se en­contram os retratos de todos os governadores da Índia Portugueza.
Pag. 265 - Palácio dos Condes de Almada
É celebre este palácio, situado no largo de S. Domingos, em Lisboa, pelas gloriosas recordações que nos traz á memória. Era seu proprietário em 1640 D. Antão de Almada, progenitor dos condes de Almada. Era n'este palácio, em um pavilhão do jar­dim, que D. Antão de Almada e os outros conjura­dos faziam as suas reuniões e discutiam a maneira de derrubarem o ominoso domínio dos Castelhanos.
Pag. 269 - Francisco de Lucena
O retrato que aqui damos d'este tão notável quan­to infortunado ministro de D. João IV foi copiado do único retrato conhecido que d'elle existe e que está em poder do sr. Alves do Rio. Em tempo pertenceu á opulenta galeria do sr. marquez do Lavradio.
Pag. 272 - Padrão de Thomar
Este padrão, em forma de pyramide, chamado dos Philippes, foi alli erguido, durante o domínio caste­lhano, em memória das festas alli realizadas e das cortes convocadas por Philippe II, de Hespanha, quan­do proclamado rei de Portugal. Está situado na estrada que conduz á Barquinha, e que, por aquelle motivo se chama do Padrão.
Pag. 273 - Morte de Miguel de Vasconeellos
A pag. 163 do volume 5.º da Historia se lê a descripção da violência, necessária por justa, que a nossa gravura representa.
Pag. 277 - João Pinto Ribeiro
Encontra-se no gabinete, que é actualmente do sr. Lino de Assumpção, na Bibliotheca Nacional de Lisboa, o retrato a óleo do famigerado chefe revolu­cionário de 1640, donde mandámos copiar o que o leitor tem em sua presença.
Pag. 280 - Casa em Leiria onde reuniram as cortes
Para complemento, por assim dizermos, d'esta gravura, que representa a humilde casa, onde, pela primeira vez depois da revolução de 1640, se reuni­ram em cortes a nobreza, o clero e o povo, damos em seguida a cópia da descripção lapidar existente, como na gravura se vê entre as duas janellas do pri­meiro andar: AETERNIT. SACR. IMMACVLATISSIMAE CONCEPTIONI MARlAE IOAN. IV. PORTVGAL. REX. VNA CVMGENERAL. COMITIIS SE ET REGNA SVA SVBANNVO CENSVTRIBVTARIA PVBL1CE VOVIT ATQVE DEI PAPAM INIMPERIITVTELA REMELECTAM ALABED RIGINA IRRAESERUM TAM PERPETVO DEFENSSVRUM-IVRAMENTO FIRMAVIT. VIVERET VT PIETAS LVSITAN HOCVIVO EA PIDE MEMORIAL E PERENNE. EXARARI IVSSIT ANN. CHRISTIM. DC.XL.VI. IPERII SVI VI.
Pag. 281 - Fachada da egreja de S. Vicente
O mosteiro de S. Vicente de Fora, de frades cruzios, foi fundado por D. Affonso Henriques, que lhe lançou a primeira pedra em 1147. Tanto a egreja como o mosteiro eram de acanhadas dimensões e sem cousa que os recommendasse. A egreja sumptuosissima, que agora admiramos, e o vasto mosteiro que lhe está annexo são obra de Philippe II de Castella, que mandou arrasar o antigo até aos fundamentos, sem d'elle ficar o mais leve vestígio. Lançou-se-lhe a primeira pedra em 1582. Foi seu architecto Filippe Tercio. Chamava-se-lhe S. Vicente de Fora, por ficar fora dos muros da cerca mourisca, a única que houve em Lisboa até ao reinado de D. Fernando. Desde o reinado de D. João 1V que uma das vastas salas do claustro de S. Vicente foi destinada a jazigo da casa de Bragança. O terremoto de 1755 causou n'este edi­fício algum damno que foi logo reparado. - Depois da extincção das ordens religiosas foi este mosteiro con­stituído em residência dos cardeaes-patriarchas de Lisboa, estando também aqui as diversas repartições ecclesiasticas do Patriarchado. Desde 1837 que esta egreja serve de matriz da freguezia de S. Vicente de Fora, então creada pelas freguezias de S. Thomé, que tinha sido fundada em 1310 e foi demolida, e a do Salvador, que tinha sido fundada em 1391.
Pag. 285 - António de Sousa de Macedo
É tradicional este retrato do illustre portuguez que tanto nos honrou no estrangeiro, e copiou-se de um dos muitos que se encontram em diversas publi­cações portuguezas illustradas.
Pag. 288 - Cruzeiro da Praça de conde de S. Joa­quim, em Braga
Sobre elegante columna bem lavrada, pertencente á ordem composita, eleva-se a cruz primacial. Foi mandado fazer pelo arcebispo D. Aftonso Furtado de Mendonça em 1621. A casa próxima, pertencente á illustre família Brandão Pereira, occupa o espaço da habitação de Lúcio Caio Atilio, governador da Lusi­tânia e Galliza, no tempo dos Romanos, e sua mulher Calcia, na qual nasceram as suas nove filhas gémeas e santas, Liberata, Quiteria, Martinha, Eufemia, Ge­nebra, Germana, Basilisa, Victoria e Marciana. (Archeologia Christã, por Albano Bellino. «Empresa da Historia de Portugal».)
Pag. 289 - Os conjurados assassinam Francisco Soares de Albergaria e António Correia nas escadas dos Paços da Ribeira
Leia-se em pag. 165 do 5.º volume a descripção de mais esta scena de sangue, justificada pela santa causa que determinou a revolução de 1640.
Pag. 293 - Fernão de Albuquerque
Encontra-se no livro existente na Bibliotheca Na­cional de Lisboa, já por nós muitas vezes citado, o retrato d'este notável governador da Índia.
Pag. 296 - Claustro dos Philippes em Thomar
De D. João III e não dos Philippes se deve cha­mar este claustro, porque em tempo de D. João III foi começado, como se pôde vêr no consciencioso estudo que sobre o convento de Thomar e a ordem de Christo se encontra no livro que sob este ultimo titulo - A Ordetn de Christo - acaba de publicar nos prelos da «Empreza da Historia de Portugal», o sr. dr. Vieira Guimarães.
Pag. 297 - Palácio do Marquez da Fronteira em Bemfica
É uma das mais formosas vivendas dos arredo­res de Lisboa, e aqui a apresentamos, por pertencer a uma família, cujos membros tanto figuraram na his­toria do nosso paiz por largo período.
Pag. 304 - Túmulo de Diogo Lopes de Sousa
Existe no convento da Batalha, na capella de S. Miguel, o túmulo que a nossa gravura representa. Essa capella foi por D. João I dada a Diogo Lopes de Sousa, para n'ella se depositarem as pessoas de sua família, honra que a nenhum outro fidalgo foi concedida, e que bem prova o apreço em que pelo mes­tre de Aviz era tido Diogo Lopes de Sousa, o qual falleceu em 1451.
Pag. 305 - Proclamação da Independência em 1640
Veja-se em paginas 163 e segs. d'este volume da Historia a descripção de todas as scenas que antecede­ram e acompanharam esse generoso movimento, que deu em resultado a emancipação de Portugal do ominoso jugo estrangeiro.
Pag. 309 - Castello de Ourem - Visto do nascente
Já n'um dos volumes antecedentes da nossa His­toria demos a noticia d'este antigo castello, que, apesar de estar em ruínas, lá existe ainda o cavalleiro da villa de Ourem, ficando-lhe ao sul a magni­fica explanada, que serviu de praça de armas. Fica-lhe em frente uma torre, que também já veiu repro­duzida na nossa Historia, e, para o lado direito uma vasta planície torneando o monte, que também foi, em tempos remotos, cercado de muralhas, das quaes ainda se vêem restos.
Pag. 312 - D. Manuel de Castello Branco
Figurou no tempo de D. Sebastião, este illustre personagem, cujo retrato é copiado do que existe na riquíssima galena da Bibliotheca Publica de Évora.
Pag. 313 - Chafariz de Caminha
Ainda que um pouco cedo de mais, nem de outro modo se pode fazer com uma publicação que tem período certo de sahida, como tem sido esta nossa, damos aqui a reproducção d'este chafariz, de construcção moderna, pois que data apenas de 1865, e que foi feito exactamente egual ao do Campo do Forno, de Vianna do Castello.
Pag. 317 - Diogo Bernardes
É copiado este retrato d'um que existe na rica galeria que a Bibliotheca d'Evora possue, e da qual nos foi obsequiosamente mandado um catalogo manuscripto, a instancias d'um nosso amigo, que muito se tem interessado por que a Historia apresente o maior numero de retratos authenticos, o sr. António Máximo Lopes de Carvalho. O catalogo manuscripto a que alludimos, traz sob o n.º 86 a seguinte indica­ção que reproduzimos ipsis verbis, afim de que não possamos ser accusados de levianos se mais tarde se descobrir que este não é o retrato de Diogo Bernar­des: «86 - Damião de Góes? Não. Deve ser Sá de Miranda (o poeta); também não. Conforme um apon­tamento ms. do códice c/2-18  n.º 8 deverá ser Diogo Bernardes, captivo que foi em Alcácer Kibir. Mede de altura 0m,64 e de largura 0m,49».
Pag. 320 - Ruy Lourenço de Tavora
E não Jeronymo de Athayde, como por uma con­fusão já explicada foi trocado pelo de Ruy Lourenço de Tavora (veja-se pag. 621). Era neto de outro Ruy Lourenço de Tavora, governador da Índia, cujo re­trato damos a pag. 149, e filho de Álvaro Pires de Tavora, historiador portuguez fallecido em 1640. Este retrato foi copiado de outro que existe na Bibliothe­ca Publica de Lisboa.
Pag. 321 - Coroação de D. João IV
O acto solemne representado pela nossa gravura vem descripto a pags. 227 e 228 d'este volume 5.º da Historia de Portugal.
Pag. 325 - Janella da casa do Capitulo do Convento de Christo em Thomar
É uma das maravilhas do histórico convento de Thomar, e a sua descripção minuciosa occupar-nos-hia muito espaço; ao leitor que deseje tomar conhe­cimento não só d'este pormenor do convento, mas de todo elle, recommendâmos-lhe o livro ultima­mente impresso na nossa typographia, A Ordem de Christo, do sr. Dr. Vieira Guimarães.
Pag. 328 - Estatua equestre d'um cavalleiro armado no século XIV
Existe no Museu do Instituto de Coimbra o ori­ginal d'esta interessante estampa, que devemos á amabilidade do sr. dr. António Júlio do Valle e Sousa. Representa um cavalleiro armado e equipado para torneio ou batalha. É uma esculptura do século XIV, executada em pedra de Ançã, notável para a historia da arte e da indumentária em Portugal. É prove­niente de Oliveira do Hospital.
Pag. 329 - A Conspiração de 1640
A amabilidade do sr. D. Luiz Vaz d'Almada, re­presentante da nobilíssima família dos condes de Al­mada, devemos a auctorização para reproduzirmos es­tes curiosos azulejos que ornamentam o jardim do palácio dos condes de Almada, e que alli foram mandados executar por um D. Antão de Almada, para commemorar a famosa conjuração d'onde nasceu a gloriosa revolução de 1640. O azulejo que esta nossa estampa representa fica situado no lado direito do jardim; as palavras que se lêem na fita que corre horizontalmente ao cimo são: «Amor - Constância - Fidelidade». As que se lêem no medalhão inferior são, com a própria orthographia «Venturoso Citio honrosas Conferencias em que se firmou a Redempsão de Portugal».
Pag. 333 - D. Manuel de Castello Branco (conde de V. N. de Portimão)
Este retrato do illustre conde de Villa Nova de Portimão, que, como já dissemos, tanto figurou no reinado de D. Sebastião, é reproduzido do que guar­nece a preciosa galeria de retratos dos marquezes de Abrantes.
Pag. 336 - Planta de Coimbra antiga
Por curiosa, e por nos não parecer aqui descabido o seu logar, mandámos reproduzir esta planta que encontrámos em estampa separada d'um livro antigo, mas cuja epocha não podemos precisar, suppondo, porém, que deva ser dos fins do século XVIII.
Pag. 337 - Combate nas ruas de Roma
Descreve-se em pags. 282 d'este 5.º volume da Historia a scena pouco edificante a que allude a nossa gravura, e que representa simplesmente a anarchia dos espíritos no século XVII, e a nenhuma garan­tia de que n'esse século gosavam os estrangeiros na velha Roma papal.
Pag. 341 - O claustro dos Jeronymos
Tivemos occasião de nos referirmos no volume 3.º d'esta edição, e com largueza compatível com o espaço de que dispomos; ao magnifico edifício dos Jeronymos, cujo claustro, uma das maravilhas architectonicas do século XVI a nossa gravura representa.
Pag. 344 - D. Luiz da Silveira (conde da Sortelha)
O retrato d'este velho fidalgo portuguez, terceiro conde da Sortelha, foi copiado da magnifica galeria de retratos pertencente ao sr. marquez de Abrantes.
Pag. 345 - A proclamação da Independência
Para não nos repetirmos, enviamos o leitor para o que acima ficou dito, quando tractámos do outro qua­dro de azulejo representando A conspiração de I640. Representa este segundo azulejo os Portuguezes em frente do Paço perseguindo os guardas castelhanos, e João Pinto Ribeiro a uma das janellas gritando: - Liberdade, Liberdade! Viva el-rei D. João IV! - No medalhão que está em baixo lê-se: «Redempção de Portugal. - A Fidelidade e o Amor triumfão.»
Pag. 349 - D. Luiz de Lencastre, 1.º commendador da ordem de Aviz
Foi filho do duque de Coimbra D. Jorge, (filho natural de D. João II) e de sua mulher D. Brites de Vilhena. Por alvará de 27 de junho de 1540, obteve D. Luiz de el-rei D. Manuel a commenda e alacaidaria mór de Veiros, com o habito da ordem de Aviz, e as alcaidarias de Landroal, Aviz, Alcaneda, Benavente, Cabeção e Benavilla, e, ultimamente, a commenda de Extremoz, tudo na mesma ordem. - No anno de 1531, fez-lhe mercê el-rei D. João III do assentamento e honras de marquez, com o tractamento de sobrinho. No anno de 1552, acompanhou a princeza D. Joanna, quando passou a Portugal, não mostrando menos luzimento que seus irmãos, o duque de Aveiro e o commendador-mór de Santiago, que também eram da comitiva. D. Sebastião mandou-o por seu embaixador extraordinário a Castella no anno de 1568, a dar os pezames a D. Filippe II da morte do príncipe D. Carlos; e, tendo morrido a rainha D. Izabel de Valois, terceira mulher do próprio rei, lhe foi orde­nado que visitasse el-rei por aquelle motivo, o que tudo cumpriu cabalmente, e se recolheu ao reino. Casou com D. Magdalena de Granada. - Falleceu no principio do anno de 1674 e jaz na capella-mór da egreja de S. João em Setúbal. Foi copiado este re­trato da galeria do sr. conde da Figueira.
Pag. 352 - Chafariz d'Evora
Dos quatro chafarizes que conta Évora, é este, sem duvida o mais elegante e mais característico, pelo que julgamos do nosso dever mandar para aqui reproduzil-o.
Pag. 353 - Execução dos conjurados contra a independência da pátria
Representa esta gravura a lúgubre scena descrita por M. P. Chagas em pag. 299 e seguintes d'este 5.º volume da Historia de Portugal.
Pag. 357 - O castello de Milão - Vista exterior da torre castellã e da prisão do infante D. Duarte
Mandámos para aqui copiar do interessantíssimo livro do sr. Ramos Coelho, Historia do Infante D. Duarte, o plano d'este castello, por nos parecer ficar bem na nossa Historia a reproducção d'este monu­mento, testemunho dos soffrimentos d'um príncipe, que deveu, em grande parte, a sua desventura ao egoismo feroz de seu irmão, D. João IV.
Pag. 360 - D. Francisco de Lemos Pereira Coutinho
Reproduz-se este retrato do illustre prelado conimbricense d'um seu retrato authentico exisíente na ri­quíssima galeria da Bibliotheca de Évora, aonde o mandámos copiar, por informação do Catalogo manuscripto a que por mais de uma vez temos alludido no decurso d'estes nossos ligeiros apontamentos.
Pag. 361 - Procissão em acção de graças pelo bom êxito da conspiração de 1640
Sobre a historia d'este azulejo, veja-se o que acima ficou dito quando tractámos do que representava a conspiração de 1640. Este, que aqui reproduzimos, fica collocado á esquerda e representa, como se vê, uma procissão. As palavras inscriptas no medalhão que se divisa na parte inferior do quadro dizem: «Benedictus Dominus Deus Israel quia vizitavit et fecit Redemptionem Plebis suae».
Pag. 365 - Dr. Miguel da Silveira
Graduado pela Universidade de Coimbra nas fa­culdades de medicina e de jurisprudência, foi em Madrid mestre de cosmographia dos fidalgos que fre­quentavam o paço real e professor de medicina, di­reito e mathematica. Viveu no século XVII, e era na­tural de Celorico da Beira. Para a sua biographia veja-se o Compendio histórico d'aquella villa, por Villela da Silva. D'elle existe publicado o poema heróico El Macabeu, Nápoles, 1638 - O retrato que aqui da­mos é copiado de outro que existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 368 - Castello de Milão - (segundo a edição de Vitruvio em 1616)
Para a reproducção d'esta estampa soccorremo-n'os, e, pelos motivos já acima indicados, da muito interessante e minuciosa Historia do Infante D. Duar­te, pelo sr. Ramos Coelho.
Pag. 369 - Roque Antunes em Eivas
O acto de heroísmo representado pela nossa gra­vura vem descripto a pags. 303 d'este 5.º vol. da His­toria.
Pag. 373 - Castello de Milão - Pateo da Roqueta e entrada para prisão do infante D. Duarte
Pelas razões expôstas quando tractámos do plano do castello de Milão, reproduzimos aqui, ainda do mesmo livro do sr. Ramos Coelho, Historia do Infante D. Duarte, ha annos publicada, a gravura que em sua presença tem o leitor.
Pag. 376 - D. Theodosio (filho de D. João IV)
É copiado d'um retrato existente na Bibliotheca Publica de Lisboa o que aqui damos d'este mallogrado successor de D. João IV.
Pag. 377 - Egreja do Loreto em Lisboa
Esta egreja do Loreto teve principio em 1517 em uma capella de Santo António muito antiga, e que foi reedificada em 1522. Foi creada freguezia para os Italianos em 2 de janeiro de 1551, e não tinha terri­tório determinado, pois que eram seus parochianos todos os Italianos que viviam dispersos em Lisboa. Era administrada por um provedor, um escrivão e um thesoureiro e mais votantes, italianos, que apre­sentavam um cura que lhes administrava os sacra­mentos e ao qual davam côngrua sufficiente e casas junto á egreja. Em 29 de março de 1651, um incên­dio a reduziu a cinzas, ficando a servir de matriz a egreja da Encarnação. Estando reedificada a egreja do Loreto em 1676 tornou a ser matriz da freguezia. Foi destruída e incendiada pelo terremoto de 1755 e reedificada em 1756.
Pag. 381 - Porta férrea da Universidade de Coimbra
Já n'um dos primeiros volumes d'esta nossa His­toria demos noticia da Universidade quando tivemos de acompanhar de algumas palavras explicativas a gravura que publicámos representando aquelle notá­vel estabelecimento d'ensino; aqui pouco mais dire­mos, o sufficiente para justificar a apresentação da gravura. Quando D. João III deu á Universidade me­lhores aposentos do que aquelles que tinha, ordenou, por carta de 24 de setembro de 1517, que ella se es­tabelecesse nos Paços das Alcáçovas, um dos muitos palácios reaes pertencentes aos monarchas portuguezes, e que havia sido reedificado por D. Manuel. Mas D. João III falleceu, a situação do paiz foi declinando cada vez mais até a derrota d'Alcácer, até á usur­pação dos Philippes. Entradas as coisas n'este cami­nho, e governando o paiz D. Philippe I, que a prin­cipio, para attrahir sympathias, se declarara prote­ctor da Universidade, representou-lhe esta para que lhe concedesse, conforme a carta de D. João III, os paços das Alcáçovas para n'elles se estabelecerem de­finitivamente as escholas que alli permaneciam havia 40 annos. Philippe II indeferiu tão justo pedido, resolvendo-se porém muito mais tarde a ceder os pa­ços, declarando porém que os não entregava senão mediante a somma de trinta mil cruzados. A Univer­sidade satisfez esta exigência, efiéctuando-se a trans­acção em 1593. Adquiridos assim, por titulo de compra, os paços de Alcáçovas, tractou-se logo de fazer as obras de que o edifício necessitava, sendo a pri­meira o pórtico que serve de entrada para o grande terreiro da Universidade, que é geralmente conhecido pela denominação de Porta ferrea, e que é a que a nossa gravura representa.
Pag. 384 - Marquez de Marialva
O retrato de D. António Luiz de Menezes, terceiro conde de Cantanhede e primeiro marquez de Ma­rialva, do conselho de estado de D. João IV e minis­tro do Despacho, tem aqui bem cabido logar. O seu nome é frequentemente citado com louvor no de­curso da nossa Historia. O seu retrato é copiado de outro que existe na Bibliotheca Publica de Lisboa.
Pag. 385 - Desembarque de D. Catharina
A estampa interessantíssima que aqui publicamos e que representa o desembarque da infanta portugueza D. Catharina de Bragança, em Portsmouth, é copia d'uma gravura do tempo dedicada ao duque de Ormond, gravura que veiu reproduzida no vol. XI da curiosissima revista portugueza Archivo Pittoresco, um dos bons repositórios de antigas coisas portuguezas.
Pag. 389 - Caxias - Convento da Cartuxa em Frontaria
Este convento, que por um decreto lavrado ainda n'este anno de 1901, foi destinado a servir de casa de correcção de menores, para o que se está desde já pro­cedendo a grandes reparações e melhoramentos, foi fundado por D. Simôa Godinho, pelos annos de 1595. Esta D. Simôa era preta mas de origem nobre; nas­ceu na ilha de S. Thomé e era riquíssima; casou com um fidalgo portuguez, do qual ficou viuva e sem fi­lhos; dispendeu todas as suas riquezas em obras pias. Tendo-se arruinado e sendo pequena a egreja de Laveiras, em 1736, reinando D. João V, resolveram os frades edificar nova egreja, para o que o rei contri­buiu com grandes sommas e o povo com esmolas. O claustro foi mandado fazer pelo cardeal D. Luiz de Sousa, arcebispo de Lisboa. Depois da extincção das ordens religiosas, foi vendido este convento e em seguida demolido em muitas partes. A egreja foi des­pojada de todas as suas imagens, adornos e alfaias, entre as quaes os magníficos quadros de S. Bruno, pintados pelo famoso Sequeira, e que passaram á Academia das Bellas Artes de Lisboa.
Pag. 392 - D. Francisco de Castro
O retrato que aqui damos deste famoso inquisi­dor geral e bispo da Guarda, neto do celebre D. João de Castro, é reproduzido do que se vê nos Retratos e Elogios de Varões e Donas, o qual por seu turno, como se lê na memória que o acompanha n'aquella notável galeria «he fielmente copiado de um painel a óleo que está na mesma capella» (capella por elle jundada no convento de S. Domingos de Bemfica). D. Francisco de Castro, que nascera em 1574, falle­ceu em 1 de janeiro de 1653, com 79 annos de edade.
Pag. 393 - Cadeira de pedra existente nos claustros da Sé de Lisboa
Na entrada de um dos claustros da Sé está a ca­deira que a nossa gravura representa, e que, como se vê, tem as armas de Portugal no encosto. Parece obra do tempo de D. Manuel ou um pouco anterior. Tem a data de 1620; mas é talvez a da sua mudança para este local, pois que, estando Portugal n'esse tempo sob o jugo hespanhol, as armas portuguezas formavam apenas um escudo no centro das de Castella.
Pag. 397 - Caxias - Convento da Cartuxa Interior da Egreja
Acerca d'este convento veja-se o que ficou dito na pequena noticia que, linhas acima, lhe consagra­mos, ao tractarmos da frontaria da egreja.
Pag. 400 - Michaela Margarida de Sant'Anna
O retrato d'esta senhora, filha do imperador Mathias, da Allemanha, fundadora do convento das Albertas em Lisboa, é copiado do que vem nos Retra­tos e Elogios de Varões e Donas, o qual, como na memória que acompanha esse retrato se diz, é co­pia do que existia no convento das religiosas de Carnide, com esta lettra em volta: A Veneravel Madre Michaela Margarida de Santa Anna, morreu em 28 de Setembro de idade de 81 annos na éra de 1663.
Pag. 401 - Fundação da povoação de S. Vicente (Santos - Brasil) por Martim Affonso de Sousa
Como ficou dito na nossa Historia, na occasião própria, foi esta - de S.Vicente - a primeira capi­tania regular que se fundou no Brazil, em 22 de ja­neiro de 1532. O quadro d'onde mandámos reprodu­zir, por meio de photographia, a gravura que o leitor tem presente, é d'um pintor brazileiro muito distincto, Benedicto Callixto, e existe n'uma das salas do grandioso museu do Ypiranga, na cidade de S. Paulo.
Pag. 405 - Padre António Vieira
Foi copiado d'uma bella gravura contemporânea do notável jesuíta o retrato que aqui damos do Pa­dre António Vieira, essa extraordinária figura de ho­mem, que foi um dos mais notáveis ornamentos da Companhia de Jesus.
Pag. 408 - Sé de Gôa
«Conquistada pela segunda vez a cidade de Gôa por Affonso de Albuquerque, em 25 de novembro de 1510, dia em que a egreja celebra a festividade de Santa Catharina de Alexandria, elegeu este pio e grande capitão a gloriosa santa por padroeira da ci­dade, e cuidou logo em lhe erigir um templo, onde fosse publicamente venerada, e que servisse de egreja parochial aos christãos que alli fizessem assento. Em breve se completou esse templo; e quando, em 1512, regressou a Gôa o mesmo heroe, de volta da con­quista de Malaca, ahi correu logo a dar graças a Deus pelas mercês recebidas. - Mais tarde passou esta egreja a ser collegiada, e em 1534 foi erigida em cathedral do bispo de Gôa, por bulla Aequum reputamus, de 3 de novembro, do summo pontífice Paulo III, passando então o prior a deão, os beneficiados a dignidades e cónegos, e préenchendo-se os mais logares com os clérigos de fora. Por bulla Etsi Sancta, de 4 de fevereiro de 1557, elevou a Paulo IV a sé archiepiscopal metropolitana, primacial das Índias, que desde o arcebispo D. Fr. Aleixo de Menezes se inti­tula «primaz do Oriente». Foi até 1542 a única parochia da cidade, e comquanto, pelo progressivo augmento do numero dos christãos, se creassem depois outras, esta contava ainda no anno de 1600 mais de 80:000 freguezes; e por isso o arcebispo D. Fr. Christovam de Lisboa, dando seguimento á mesma cathedral no anno de 1614, estabeleceu alli dois curas para a administração dos sacramentos. Em 1532 ampliou-se o primitivo templo, e em 1562 tractou-se de edi­ficar no mesmo local outro mais grandioso, a cujas obras o referido arcebispo D. Fr. Christovam deu grande impulso. O novo templo foi sagrado pelo seu successor D. Fr. Sebastião de S. Pedro, o qual go­vernou a diocese durante seis annos, começados em 1623. - Este edifício, um dos mais esplendidos e grandiosos de Gôa, está em perfeito estado de conservação, exceptuando a torre do lado esquerdo, que abateu em junho de 1776». Lopes Mendes, Índia Portuguesa.
Pag. 409 - S. Vicente, ponto da costa do Brazil onde desembarcou Martim Affonso
Esta gravura como que completa o grupo das que damos n'estas vinte paginas da Historia, e que re­presentam, para assim dizer, a relação do descobri­mento do Brazil e da fundação da sua primeira capi­tania.
Pag. 413 - Braz Cubas
É reproducção d'um celebre busto do notável fundador de Santos, no Brazil, existente na camará municipal da mesma cidade. - A pedra tumular que cobre a sua sepultura na antiga egreja da Misericór­dia (hoje matriz) traz este epitaphio: «S.ª de Braz Cubas, Cavalleiro fidalgo da casa d'El-Rey. - Fun­dou e fez esta villa, sendo capitania, e casa de Mise­ricórdia, anno 1543. - Descobriu ouro e metaes anno 60. Fez fortaleza por mando de El-Rey D. João III. Falleceu no anno de 1597».
Pag. 416 - Monumento commemorativo da des­coberta do Brazil e da fundação de S. Vicen­te, levantado no logar em que desembarcou Martim Affonso
Esta epigraphe diz tudo quanto de interessante se podia desejar sobre a explicação da gravura. Apenas como addenda diremos que a photographia aprovei­tada para a reproducção em photogravura, pertence á collecção do photographo amador, de Santos, sr. J. Marques Pereira, que muito amavelmente nol-a fez chegar ás mãos por intermédio do correspondente d'esta Empreza em Santos
Pag. 417 - Decapitação de Francisco de Lucena
Esta prova bem clara do egoismo peculiar a D. João IV e á sua indifferença pela sorte d'aquelles a quem mais devia, vem bem descripta a pags. 358 d'este mesmo volume da Historia.
Pag. 421 - Conde de Villa Flor
O retrato d'este illustre soldado que tanto brilhou durante as guerras da Restauração, é reproduzido do que existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa.
Pag. 424 - Sé do Funchal
É um dos mais notáveis, senão o mais notável dos edifícios religiosos da ilha da Madeira, e foi manda­da construir em tempo de D. Manuel, o que para logo se reconhece pelo seu estylo typico. É um vasto templo de três naves, de architectura gothica, con­tendo dez capellas em que ha trabalhos magníficos de talha dourada. Tem as paredes vestidas de már­mores e o tecto de cedro em relevo de talha.
Pag. 425 - D. Francisco de Mello
Existe na Bibliotheca Publica de Lisboa o retrato d'este notável fidalgo, marquez de Sande, cujo fim trágico, pois que foi assassinado nas ruas de Lisboa, tornou muito sympathica a sua memória.
Pag. 429 - Seminário de Santarém
É dos fins do século XVII a fundação d'este edifício um dos mais notáveis de Santarém, e que é vasto e sumptuoso, perfeito typo das construcções jesuíticas. O tecto da egreja é um modelo em pintura e dese­nho. Toda a fachada da egreja é de boa cantaria, com lavores de troncos e ramos em meio relevo. Três portas dão entrada para o templo. A cruz que se vê alçada no topo do edifício é de ferro, e, segun­do consta, pesa 165 kilos. Foi alli collocada em 1787 para substituir a primitiva, que era de pedra e tinha sido derribada por occasião do terremoto de 1755.
Pag. 432 - Janella do palácio de Sub-ripas
Como se sabe, o palácio de Sub-ripas é um dos edifícios mais antigos de Coimbra, e notável pelos acontecimentos históricos a que anda ligada a sua memória. Por este duplo motivo mandámos reprodu­zir do famoso livro de Haupt, a Renascença em Portugal, a graciosa janella, cuja gravura ornamenta a nossa edição da Historia.
Pag. 433 - Batalha de Montijo
Veja-se a pag. 340 d'este volume da Historia a descripção d'esta batalha em que o decantado valor do soldado portuguez, quando bem conduzido, ainda mais uma vez se demonstrou.
Pag. 437 - Egreja de Santa Maria da Conceição em Thomar
Está erigida esta egreja sobre um monte de vas­tas e alegres vistas. E um magnifico templo de três naves, fundado pelos freires de Christo, que cuida­ram da sua conservação, aceio e culto até 1834.
Pag. 440 - D. Fernando de Menezes - Conde da Ericeira
Nasceu em Lisboa em 27 de novembro de 1614 e falleceu na mesma cidade em 22 de junho de 1690. Este illustre fidalgo escreveu, entre outros livros, a Historta de Tangere e a Vida e acções d'el rei D. João I, offerecida á memória posthuma de D. Theodosio. Para a sua biographia veja se o prólogo da sua Historia de Tangere. O seu retrato é copia do que, gravado em cobre, illustra a sua obra Historia Lusitanorum sub anno MDCXL ad MCCLVII.
Pag. 441 - Antigo convento dos Carmelitas de Coimbra
Foi o collegio de S. José fundado em 1663 (18 de julho) é esteve primeiramente funccionando nas casas do conde de Portalegre, á porta de Belcouce e só mais tarde, á custa de esmolas dos particulares e de outros conventos, se edificou a actual casa, no monte então vulgarmente chamado Genicoca e pelos estu­dantes Monte-Aureo por ser muito coberto de bem-mequeres amarellos. Está situado n'um dos pontos elevados dos mais bellos de Coimbra. Esta nova casa foi principiada em 1606, lançando-lhe a primeira pe­dra o bispo D. Affonso de Castello Branco. Em 1608 estava acabada a obra. - Depois da extincção das or­dens religiosas, o governo de D. Maria II deu este convento ás Ursulinas de Pereira, que pediam uma casa mais própria e hygienicamente disposta para o seu collegio de educação, que funcciona com os seus estatutos actualmente, e sendo o melhor de Coimbra.
Pag. 445 - João Fernandes Vieira
O retrato d'este notável defensor dos Portuguezes em Pernambuco é copiado duma gravurinha que faz parte d'uma collecção que no Brazil é adoptada nas escolas, para onde foi reproduzido do Castrioto Lusi­tano.
Pag. 448 - Porto de Moz - Freguezia de S. João
Consta que D. Fuás Roupinho mandou construir pelos annos de 1184 uma capella dedicada a Nossa Senhora da Piedade, que depois foi reedificada e ampliada, e é actualmente de S. João que já era parochial no século XV. - A capella-mór é de abobada de pedra, e tem um altar com as imagens de S. João Ba­ptista e Nossa Senhora da Piedade. Tem dois altares lateraes no corpo da egreja. Ha também n'esta egreja a capella de S. Bartholomeu instituída por uns devo­tos inglezes.
Pag. 449 - Morte do coronel jesuíta Cosmander
A pags. 360 d'este volume vem a descripção da scena representada pela nossa gravura. Como ahi se vê, a morte d'este singular padre-soldado custou muito sangue derramado, pois que d'esse aconteci­mento resultou o desanimo dos soldados commandados por Cosmander.
Pag. 453 - Henrique Dias
Applique-se para a justificação d'este retrato o que ficou dito linhas acima quando justificámos o de João Fernandes Vieira. Pela authentícidade de outros retratos que constituem essa collecção, deprehende-se que este tenha sido reproduzido de algum retrato considerado authentico existente no Brazil.
Pag. 456 - Coimbra - Galeria do Paço Episcopal
Contíguo á egreja de S. João de Medina, ergue-se o paço episcopal, que, sendo edifício de apparencia pouco notável, é uma bella habitação pelas tuas commodidades, excellente posição, e obras de arte que lá figuram, não sendo a galeria que a nessa gra­vura representa das coisas menos dignas de menção. Foi seu fundador o bispo D. Affonso de Castello Branco, a quem Coimbra é devedora de muitas obras grandiosas.
Pag. 457 - Egreja matriz de Azurara
Regressando D. Manuel em 1498 de S. Thiago de Compostella e passando por este sitio, mandou fazer o sumptuoso templo que a nossa gravura representa. Tem uma alta torre de cantaria e, dentro e fora da egreja, as armas de que usava D. Manuel. O interior, apezar de uma ou outra adulteração de mau gosto, corresponde harmonicamente á magestosa opulência do exterior.
Pag. 461 - Púlpito de Nossa Senhora dos Olivaes
É um bello exemplar da arte Renascença puro, do tempo de D. João III este magnifico púlpito, que se admira na egreja de Nossa Senhora dos Olivaes, em Thomar, e que tanto impressionou o grande architecto allemão Haupt, que o copiou para o seu bello livro A Renascença em Portugal.
Pag. 464 - Fr. José do Espírito Santo
Pregador notável, este venerável frade nasceu em Guimarães em dezembro de 1608, exerceu diversos logares de grande confiança regia, foi fundar a Bahia em 1665, e falleceu, depois de grandes trabalhos apos­tólicos em janeiro de 1674. O retrato que aqui damos é reproduzido do que vem na collecção de Retratos e Elogios de Varões e Donas, que por seu turno, o copiou de um retrato a óleo existence n'um convento de sua fundação, em Braga.
Pag. 465 - O padre António Vieira na Inquisição
Foi, conforme se descreve na Historia, um dos golpes mais terríveis vibrados n'aquelle homem, no qual, apesar de jesuita, deviam ser respeitados os seus noventa annos, edade em que teve de apresen­tar-se no terrível tribunal. No livro pela nossa Empreza publicado Historia Geral dos Jesuitas vem no­ticia mais desenvolvida das causas que levaram á In­quisição o padre António Vieira.
Pag. 469 - D. Álvaro Vaz de Almada
Bem comprehendemos que não é aqui já o logar próprio para apresentarmos o retrato d'este denodado companheiro e amigo de D. Pedro, o da Alfarrobeira; mas como se nos depara o retrato con­siderado authentico, e que nos foi indicado pelos her­deiros do honrado nome de Vaz de Almada, não he­sitámos em reproduzil-o. Para justificarmos a sua authenticidade, para aqui trasladamos a carta em que nos foi dada a amável auctorização para a sua reproducção: «Sr. - Calculando que na Historia que v. es­tão publicando quereriam mencionar d'onde eram re­produzidos os retratos, que n'ella figuram; para lhe darem uma certa authenticidade (por isso e só por isso) lembrei ao desenhador que aqui veiu, para tirar a reproducção do retrato do Conde de Abranches D. Álvaro Vaz d'Almada, que poderia pôr da casa dos Condes d'Almada, mas achando agora que este modo de dizer poderá fornecer uma apresentação desnecessária da pessoa, em vez da do retrato, julgo melhor que a fazer alguma declaração, seja antes: reproducção do retrato existente em casa dos Condes d'Almada. Creio que esta minha explicação se fará comprehender e sou, etc. - D. Luiz Vaz d'Almada.»
Pag. 472 - Aqueducto de Coimbra
Conforme nos diz Augusto Simões Mendes de Cas­tro, foi no reinado de D. Sebastião, que se emprehendeu a fabrica d'este grande aqueducto para abastecer de agua o bairro alto da cidade, onde a sua falta era muito sentida. El-rei incumbiu esta empreza ao desembargador Heitor Borges, que começou os trabalhos procurando as nascentes perto de outras de que os cónegos de Santa Cruz estavam senhores na sua quin­ta. Receiosos os cónegos de que fossem desviadas as suas aguas para as covas que se andavam abrindo, oppozeram se energicamente a que se continuasse a obra; mas o desembargador, apezar dos diversos meios e grande resistência que os frades empregavam, não levantou mão dos trabalhos, proseguindo nas excavações. Vendo então os cónegos que eram baldados to­dos esses esforços, deliberaram usar de meios violen­tos, e, sahindo em uma noite de luar, por uma das portas da quinta com grande quantidade de gente, foram entulharas covas. Heitor Borges deu então parte do successo para Lisboa, do que resultou que Martim Gonçalves da Camará, grande valido d'el-rei D. Se­bastião, e que tinha tomado este negocio a peito, encarregou da realização da obra a outro desembarga­dor, por nome Gaula, a quem muniu de alçada e am­plos poderes para que levasse avante uma empreza tão urgente pira o bem commum. Chegado Gaula a Coimbra, desempenhou-se da sua missão por modo enérgico, despedaçaddo a porta da quinta, arrasando o muro fronteiro ás fontes, e mandando fechar estas com torres de pedra e cal. Começou depois a fabrica dos canos que deviam conduzir a agua á cidade. De nada valeram aos frades as queixas que fizeram a el-rei e ao pontífice. Levou-se por deante a grandiosa obra em beneficio do publico. - O aqueducto, cuja extensão é pouco mais ou menos de um kilometro, corre em grande parte sobre vinte e um arcos de grande altura, que se erguem junto do Jardim Botâ­nico. - Foi constructor d'esta grandiosa fabrica Filippe Tersio, engenheiro italiano. - O ultimo arco é de cantaria lavrada e torna-se muito notável pela sua forma pouco vulgar, este arco é coroado por um baldaquino sobre columnas. sob o qual estão as imagens de S. Roque e S. Sebastião, voltadas em direcções oppostas.
Pag. 473 - Convento de S. Francisco em Évora
Teve este convento sua origem pelos annos de 1244 ou 1245 e a actual egreja, que substituiu a an­tiga, foi mandada fazer por el-rei D. João II e D. Ma­nuel, como se deprehende da esphera armillar e do pelicano, emblemas d'aquelles reis. Medindo 46 metros de comprido e talvez 24 de altura, esta bella egreja, cuja abobada é de cantaria, não tem uma única columna que a sustente, e as paredes em que se apoia não têem mais que 0,70 de espessura. É digna de ser visitada, e n'ella deve ser vista a Casa dos ossos, assim chamada por serem as suas paredes revestidas de caveiras, fémures e tíbias, e n'ella o modelo de madeira da capella-mór da Sé da mesma cidade.
Pag. 477 - D. Joanna de Mendonça, condessa da Atalaya
A ser d'esta senhora, como suppômos o retrato que aqui damos e que reproduzimos d'uma gravura existente na Bibliotheca Publica, sabemos que foi ella mulher do 4.º conde da Atalaya, D. Luiz Manuel de Tavora, que muito notável se tornou nos governos da acclamação. D'este consorcio nasceu D. João Manuel de Noronha, que foi o 6.º conde da Atalaya.
Pag. 480 - Egreja de S. João Baptista em Thomar
É um primor de architectura gothica florida, como todas as obras mandadas fazer por D. Manuel. Foi reparada em 1875, sendo a capella-mór completamente restaurada. Está em frente da casa da camará, e, como ella, tem no frontispício as armas de Portu­gal, tendo de um lado a cruz da ordem de Christo e do outro a esphera armillar, emblema de D. Manuel. Foi elle, como dissemos, que a mandou fazer, e a elevou a collegiada em 1520. Já alli havia uma ermi­da, dedicada a S. João Baptista, que se demoliu, para se construir a egreja actual.
Pag. 481 - Cerco de Colombo
A nossa estampa representa um dos episódios da heróica resistência dos defensores de Colombo, cuja descripção se encontra em pags. 475 e seguintes d'este 5.º volume da Historia de Portugal.
Pag. 485 - António Galvão de Andrade
Eis o que nos diz Innocencio Francisco da Silva acerca d'este notável mestre de equitação: «Commendador da Ordem de Christo, Estribeiro da Casa Real. Nasceu em Villa Viçosa e morreu no anno de 1685, a 9 de abril, contando, ao que parece, 76 annos de edade. - Escreveu Arte de Cavallaria de gineta e estardiota; bom primor de ferrar, e alveitaria: divi­dida em três tractados, que contêm vários discursos e experiências novas d'esta arte. Dedicada ao Serenís­simo Príncipe de Portugal D. Pedro nosso senhor, etc. Lisboa, por João da Costa, 1678, fol. De XVI-605 pag., com o retrato do auctor (d'onde é copiado, o que da­mos na nossa Historia) gravado a buril e treze estam­pas. - O distincto apreço que o conde D. Luiz de Menezes e D. António Alvares da Cunha fizeram d'esta obra seria, na falta de outros, sufficiente recommendação do seu merecimento. É escripta em linguagem corrente, e havida por clássica nos termos relativos ás matérias de que tracta.»

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pag. 488 - Braga - Egreja e Hospital de S. Marcos
Da Archeologia Christã, o recente livro de Albano Bellino, destacamos a curiosa noticia que o illustre investigador ahi nos dá do notável edifício que a nossa gravura representa, «No largo dos Remedios, onde nos princípios do século XII havia uma pequena ermida e Albergaria adjunta com frente para leste, construiu-se em meado do século XVIII a actual egreja e ampliou-se o hospital que D. Diogo de Sousa re­construirá em 1508, unindo-lhe as gafarias de S. Lourenço, Santa Margarida, Lázaros (que estava onde hoje se vê a egreja parochial de S. José de S. Lázaro), a Albergaria da rua Nova de Sousa, a Confraria de Roque Amador e do Corpo de Deus. - A construcção do primitivo hospital de S. Marcos foi iniciada pelo cónego Diogo Gonçalves. O arcebispo D. Fernando da Guerra, em seu testamento com data de 2 de se­tembro de 1467, deixou aos doentes do Hospital de S. Marcos outras dez libras. - N'este local existiu o convento dos templários, extincto, como todos os da Ordem, em 1312. O arcebispo de Braga, D. Payo Men­des, conhecendo quão grandes eram os rendimentos da capella, deu, no anno de 1118, a sua administração em Commenda, a seu sobrinho D. Gualdim Paes, Mestre da Ordem em Portugal. - O arcebispo D. João Ovelheiro confirmou em agosto de 1145 este hospi­tal, fundado e dotado pelo seu predecessor D. Payo, em beneficio dos pobres e doou-lhe metade dos dizimos de todas as rendas. Em carta datada de 1146 permitte e confirma D. Affonso Henriques a doação, e ordena que as fazendas e herdades com que D. Payo dotara o hospital, e as quaes depois da sua morte os bracarenses usurparam, sejam recolhidas na integra. - A administração camarária do hospital terminou quando D. fr. Bartholomeu dos Martyres o entregou de vez á Misericórdia. - As obras do actual edifício terminaram em 1780; e as da egreja, que já em 1805 prestava a sua capella-mór á celebração do culto, apenas se concluíram em 1836, tudo dirigido e exe­cutado por José Fernandes da Graça (o Landim). Foi auctor do desenho e planta d'este vasto edifício o illustre bracarense (capitão de engenheria) Carlos Amarante, parente do sr. dr. Carlos Braga. - Sobre o parapeito que serve de remate á portaria assentam as grandes estatuas de granito representando S. Simão, S. Bartholomeu, S. Thiago Menor, S. João Evangelista, Santo André, S. Pedro, S. Paulo, S. Thiago Maior, S. Thomé, S. Philippe, S. Mathias e S. Lucas. Ao centro da fachada da egreja que pertence á architectura Composita, ha n'um nicho bem lavrado a estatua do orago, com esta inscripção por baixo: Beatus Joannes Marcus Christi, Domini Discípulos Anagrama Js. in Mundo pius. est Medicus tuis incolis. Bracara. - A urna que encena os ossos de S. João Marcos e que está em arco aberto na parede do lado da epistola, na capella-mór, é de mármore com embutidos de várias cores, tendo na frente as insígnias prelaticias e os dizeres seguintes: Sacra ossa Divi Joannis Marci. - Ao centro da ca­pella-mór existe uma campa de mármore onde jaz o cónego João de Meira da Silva Carrilho, que em 1 de outubro de 1682 instituiu capella e coro com 6 capellães na anterior egreja do Hospital, denominada do Espirito Santo. - Ha também na varanda do Hospital uma grande lapide com uma inscripção. - A casa da Convalecença como se lê no meu livro Inscripções e Lettreiros, pag. 108, foi fundada por Pedro Aguiar, sirgueiro, familiar do Santo Officio, morador no Rexio do Castello, por doação e con­tracto exarado nas notas do tabellião geral de Braga e seu termo, Matheus Gonçalves, aos 11 de fevereiro de 1643. - Sob a arcaria do claustro ha, sobre uma fonte estes dizeres: O Ill.mo' senhor D. Rodrigo de Moura Telles Arc.° primaz fez mercê desta agoa aos 25 de maio de 1723. - A pouca distancia d'esta fonte conserva-se embebida na parede uma lapide romana funerária que pertenceu á sepultura de Heleno, servo de Talavo, de 30 annos de edade. - Ao lado d'esta existiu outra, egualmente funerária, de Amaranto, filho de Senecião - Foram ambas encontradas nas escavações feitas para se assentarem os alicerces do Hospital. - Quando mais tarde, em 1855, se abriram os alicerces para a nova enfermaria, appareceram também duas lapides, que se acham embebidas na frente do edifício. - Encostada á parede exterior do lado esquerdo d'este vasto edifício vê-se a capella de S. Bento, construída a expensas dos devotos por in­tervenção da Meza administradora da Misericórdia que para este fim dirigiu ao Arcebispo D. José de Bragança uma petição em que se lê: «Diz o provedor e irmãos do serviço da mesa da Misericórdia, que vários devotos com suas offertas e esmollas que­rem fazer um nixo á emitação das capellas dos Pas­sos e nelles collocar a pintura de S. Bento, que existe na parede detrás do Hospital para se louvar a ima­gem tão milagrosa; e como naquelle sitio de trás do hospital ha um claro e nelle um cruzeiro antigo, querem neste mesmo sitio encostado ás paredes fa­zer o tal nixo ou capella, pondo o cruzeiro mais á ilharga, cinco ou seis palmos». - A capella con­struiu-se realmente e. foi benzida por provisão do Arcebispo no anno de 1755... Que destino levaria o cruzeiro e a milagrosa pintura de S. Bento? É certo que com esse descaminho não decresceu a devoção popular, pois o S. Bento moderno recebe annualmente milhares de ovos n'uma caixa de madeira que está dentro da capella, com dois tubos de ferro que vêem á grade recebel'os. - Utilíssima devoção esta de offerecer ovos ao S. Bento do Hospital para se occorrer ás necessidades dos seus doentes!... Com justificado motivo o povo, na sua phrase humorística, vae chamando ao S. Bento do Hospital a melhor gallinha dos pobres! - Fica a poucos passos de dis­tancia a quinta do Fojacal, onde, em novembro de 1730, appareceu uma pequena talha lavrada contendo mais de mil moedas wisigothicas.»
Pag. 489 - Sé de Loanda
Não tem, como se vê, grande belleza artística, mas, tendo nós feito na nossa Historia a reproducção de todas as sés do continente, ilhas e possessões ul­tramarinas, achámos do nosso dever copiar também esta.
Pag. 493 - Fr. Luiz Mendes de Vasconcellos
Existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa, d'onde foi copiado o que aqui damos, o retrato d'este illustre varão portuguez, que se não deve confundir de modo algum com o notável auctor Do Sitio de Lisboa. O nosso Fr. Luiz Mendes de Vasconcellos, que não consta que escrevesse cousa alguma, parece ter nas­cido em Évora pelos annos de 1530 e fallecido a 7 de maio de 1623 na Ilha de Malta, onde jaz sepultado, e de cuja ordem era o 54.º mestre. A seu respeito foi escripto em hespanhol um livro, traduzido para por­tuguez por Miguel Lopes Ferreira, com o seguinte titulo: Vida e acções de sua alteia sereníssima Fr. Luiz Mendes de Vasconcellos, gran-mestre da sagra­da religião de Malta, etc, traduzida do castelhano. Lisboa, na Officina Feneiriana, 1731, 4.º
Pag. 496 - Sanctuario do Bom Jesus da Pedra em Óbidos
No meio de uma risonha planície, cercada de vi­çosa vegetação, e de collinas cobertas de frondoso arvoredo, ou semeadas de penedos alcantilados, se ergue soberbo e imponente o magestoso sanctuario do Senhor da Pedra. - A 100 metros da villa, no cen­tro de um quadrilongo, cercado de casas e muros, está edificado este formoso templo; em um sitio an­tigamente chamado os Areeiros e também Casal da Pedra, por aqui ter havido uma vivenda assim deno­minada; e por isso se deu ao padroeiro da egreja o titulo de Senhor da Pedra. Outros pretendem que o chamar-se Senhor da Pedra, é porque a imagem é feita d'esta matéria. - Este sitio é atravessado por uma extensa ponte, que augmenta a belleza do edi­fício. - É tão robusta a construcção do templo, ao qual servem de gigantes as suas duas torres (que fi­caram só da altura da cimalha da egreja), que nenhum abalo soffreu, no fatal terremoto do dia 1.º de no­vembro de 1755, que tantos estragos causou por es­tes sitios, como por todo o reino. A cúpula é de for­ma hexagona, e está revestida exteriormente de te­lhas esverdeadas e refulgentes. Sobre o seu vértice, se vê um grande globo, sustentando uma alta cruz de ferro, que remata o fastígio do templo, que mede uns 35 metros de altura. Da parte opposta á fachada principal, olhando á direita, vêem-se os outeiros de Santo Antão, em um dos quaes está a sua capella, edificada entre alterosas e esbranquiçadas penedias, Devemos confessar que a ordem architectonica da egreja do Senhor da Pedra, não prima por a sua re­gularidade, formando um exemplar único no seu gé­nero, n'este reino, não tendo outro edifício que a imi­te, senão o Senhor da Barroca, que todavia é de mais acanhadas proporções, e de muito menos riqueza. A architectura toscana, romana e composita aqui se mistura com a italico-classica, em resultado da con­cepção hybrida do architecto. Apezar d'isto, não se lhe pode negar belleza e magestade. As paredes, tan­to interior como exteriormente, são revestidas de pe­dras quadradas, o que lhes dá uma apparencia bas­tante pesada. - Pela sua forma circular, assimilha-se ao famoso pantheon de Roma, edificado por o côn­sul Marco Vipsamio Agrippa (genro do imperador Augusto) e dedicado a todos os deuses da sua mythologia, principalmente a Júpiter vingador. - Portu­gal antigo e moderno, vol. 6.º, pags. 191 e 192.
Pag. 497 - Pantaleão de Sá em lucta com os inglezes nas ruas de Londres
Leia-se a pags. 507 d'este volume quinto da His­toria, a descripção d'este lamentável acontecimento, que deu em resultado a execução capital d'um valen­te fidalgo portuguez, qual era Pantaleão de Sá.
Pag. 501 - Lamego - Sanctuario dos Remédios - Capella de Nossa Senhora de Lourdes
A leste da cidade de Lamego, a 1 kilometro de distancia, sobre uma elevadíssima collina, está o sum­ptuoso templo e sanctuario de Nossa Senhora dos Remédios, para o qual se sobe por uma rica escada de granito, em nove magestosos lanços, com espaço­sos pateos, ornada lateralmente de frondosas arvores, e semeada de lindas capellinhas como esta que a nos­sa gravura representa. É aqui que se faz a grande ro­maria dos Remédios, a 8 de setembro.
Pag. 504 - D. Pedro de Noronha
Existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa o retrato d'este D. Pedro de Noronha, que foi 5.º senhor de Villa Verde, veador da rainha D. Catharina mu­lher de D. João III e depois vedor da fazenda do mesmo rei. Casou com D. Violante de Noronha e teve por descendente e seu successor outro D. Pedro de Noronha.
Pag. 505 - Torre dos Clérigos, no Porto
No anno de 1732 principiou no alto da calçada da Natividade (hoje rua dos Clérigos) a construcção da egreja dos Clérigos, e em 1748 se começou a obra da formosíssima torre dos Clérigos, que foi concluída em 1703, sendo seu architecto Nicolau Maroni, italiano. Esta torre é a mais alta do reino, e das mais elegantes e notáveis da Europa, excedendo muito em altura, as de Hamburgo, Bolonha, Utrecht, Riga, e Bristol. E toda de cantaria lavrada, e de solidissima construcção, assente em uma rocha, pelo que tem resistido a todos os temporaes e convulsões do globo; apenas em 1834, um forte temporal destruiu uma pe­quena parte d'esta torre, que foi pouco depois con­certada. Em 1862, uma faisca eléctrica lançou por terra o globo e a cruz, que logo foi reposta no seu logar. Hoje tem um conductor. A sua altura, desde o nivel da rua até á base do globo de metal que a coroa, é de 337,5 palmos (75 metros). Vê se do mar a 60 kilometros de distancia, servindo por isso de guia aos navegantes que demandam a barra do Porto. Tem oito campanários, com os seus competentes si­nos, pezando todos 7990,372 kilogrammas - P/ antigo e moderno, vol. 7.º, pags. 307 e 308.
Pag. 509 - D. Luiz de Menezes
D. Luiz de Menezes, primeiro conde da Ericeira, commendador da Ordem de Christo, general de artilheria e vedor da Fazenda de D. Pedro II, nasceu a 22 de julho de 1632 e suicidou-se no seu palácio em 26 de maio de 1690. Escreveu entre outras obras a Historia de Portugal Restaurado impressa pela pri­meira vez em 1679. N'este livro vem o seu retrato gravado em cobre, que fielmente mandámos repro­duzir. O grande desenvolvimento que o conde deu ás artes e industrias nacionaes durante o tempo da sua administração valeram-lhe o cognome de Colbert portuguez.
Pag. 512 - Lamego - O Sanctuario dos Remédios - O largo dos Reis
É um dos lindos ornamentos e pontos de vista do famoso sanctuario, o pittoresco largo que a nossa gravura representa. Acerca do sanctuario, veja-se o que dizemos linhas acima.
Pag. 513 - Cerco de Colombo - Tomada da bateria
Tão notável se tornou a defeza d'esta praça portugueza, de que vem desenvolvida descripção em pags. 47 e seguintes d'este 5.º volume, que deu mar­gem a mais de um episódio notável, como este que aqui reproduzimos.
Pag. 517 - D. Affonso VI
Existe na Bibliotheca Publica de Lisboa o retrato d'onde mandámos copiar este que figura na nossa Historia.
Pag. 520 - Laveiras - Claustro do convento da Cartuxa
Já em pags. 624, n'este mesmo índice, dissemos o que se nos offereceu á cerca d'este vetusto con­vento, edificado ás abas de Lisboa, e do qual já apresentámos dois aspectos, a pags. 389 e a pags. 397 do presente volume.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pag. 521 - Braga - Egreja de Santa Cruz
«Dos cruzeiros que o arcebispo D. Diogo de Sousa fez distribuir pelos differentes largos da cidade, ficou um entre as ruas de S. Marcos, Anjo, e largo dos Re­médios, denominado Cruz de S. Marcos, ao qual o mestre eschola padre Jeronymo Portillo creou certa devoção de que se originou a fundação da capella do Bom Jesus da vera cruz, no anno de 1581, installando-se provisoriamente, por obséquio, na velhíssima capella de S. Marcos, que então existia onde hoje está a egreja e hospital da mesma invocação. Foram instituidores, além do padre Portillo, os seus alumnos Pedro da Grã-Botelho, Francisco Gomes, António Martins Tinoco, João Dias Leite e outros. - Em 1592, foram alterados os estatutos e cinco vezes reforma­dos: em 1630, 1664, 1702, 1720 e 1762. - No anno de 1617, como consta do livro 2.) das Memórias, re­solveu-se a edificação da egreja «aonde se hão de gastar mais de dois mil cruzados», comprando-se para esse fim algumas casas na rua do Anjo, para que a obra pudesse occupar parte do espaço denominado Castello Rodrigo, onde então ainda havia restos de uma torre da muralha romana, de que se encontram vestígios na quinta do Avellar. - Oito annos depois, em 1625 o Arcebispo D. Affonso Furtado de Men­donça procedeu á benção do terreno, dando se immediatamente principio á obra, que, por decorrer morosissima, fora impulsionada pelo referido Arce­bispo com a licença que concedeu aos pedreiros para cortarem a pedra nas tardes dos dias santos de guar­da. - D. Sebastião de Mattos Noronha (1636-41) ordenou a remoção do cruzeiro para as proximidades da capella de Santa Justa e ponte dos Pellames, onde ainda hoje se vê com uma cavidade no globo que encima a frágil columna e que primitivamente teve uma pedra com o escudo de D. Diogo de Sousa. - A obra da egreja ficou concluída de pedreiro em 1653, dispendendo-se mais de 50:000 cruzados, ex­cepto as torres que em 1693 o mestre de pedraria Manuel Fernandes da Silva foi convidado a ultimar. A 28 de abril de 1725, foi adjudicada a Francisco Machado, mestre entalhador, a obra do retábulo das capellas. - A egreja principiou cedo a dar signaes de ruina, sendo necessário, em 17 de novembro de 1731, convidar o mesmo Manuel Fernandes da Silva, que dirigia as obras reaes de Mafra, para a reparar em parte. Porém, depois de lhe ter dado principio des­telhando-a e demolindo parte das paredes, deixou-a exposta aos terrporaes, toda interiormente occupada com escoras e madeira solta, os altares desfeitos, sendo por tudo isto necessário conservar guardas durante algumas noites n'aquelle recinto, até que a confraria representasse a el-rei pedindo-lhe para «mandar que o sargento mór não impessa que o dito mestre com seus officiaes, que também se acharem libertados das reaes obras de Mafra, possa continuar no dito reparo». - A construcção d'esta egreja foi adjudicada ao mestre Francisco Vaz, dirigindo-a Geraldo Alvares, o licenceado João Dias Leite e o Dr. Pedro de Coimbra d'Andrade. Encarregou-se da construcção do pateo, que custou 160$000 réis, o mestre António d'Oliveira. No dia 9 de maio de 1861 chegaram a Braga os 10 sinos afinados fundidos em Lisboa. - Douraram-se dois altares em 1754. Ao cabo de 13 annos (1767) foram encarregados de fazer o re­tábulo da capella-mór, pela quantia de 1:610$000 réis, Manuel da Silva e Manuel Carneiro da Costa, da rua de Santo André. A irmandade foi elevada á categoria de real em 11 de outubro de 1822. O commendador Fernando d'Oliveira Guimarães legou-lhe, em 19 de janeiro de 1852, duas moradas de casas, para o hosoital que se inaugurou a 13 de setembro do anno immediato. - Em novembro de 1890 teve começo a sua restauração, que se concluiu em de­zembro de 1893. - A fachada, riquíssima de escul­tura, com emblemas da paixão de Christo, é com posta das ordens architectonicas Dorica e Jónica e tem gravados dizeres em latim». - Albano Bellino, Archeologia Christã, Lisboa, 1900.
Pag. 525 - A Sempre Noiva
Do notabilissimo artigo do sr. Gabriel Pereira, tão competente em assumptos d'este género, inserto no n.° 5 do 1.º anno da interessantíssima revista mensal illustrada, Os Serões, tomamos a liberdade de destacar alguns períodos para acompanhar o desenho do formosíssimo solar da Sempre Noiva, que illustra as paginas da nossa Historia. - «E um solar muito an­tigo, que fica entre Évora e Arrayollos; ainda o co­nheci abandonado, sem telhados, as paredes negras com plantas bravas, as chaminés erguidas cheias de ninhos de corujas; era uma ruina trágica. Agora está rebocado, caiado, com telhados novos, felizmente res­peitaram o que era antigo; não se fez completa res­tauração, mas assim conserva-se o que existia, que era muito. Entremos na Sempre Noiva; passado o portão, vemos uma vasta quadra, á direita temos ca­sas baixas, moradias de serviçaes, á esquerda o palá­cio; a escadaria nobre, a varanda, o pavimento alto com as suas elegantes janelas de mármore branco, geminadas, as padieiras em arcos de ferradura, á maneira mourisca. - Sobre a escada uma desafogada varanda ou eirado; parte d'esta varanda era coberta, com alpendre sobre columnas, que abrigava a aber­tura superior da escada na varanda, e a porta de en­trada no pavimento nobre, e estamos na primeira sala, espaçosa, de bastante pé direito, com muita luz, alto roda-pé de azulejo, o chão ladrilhado; e seguem duas salas mais, uma central e maior, outra que vae á esquina, onde tem uma grande janella de canto, tam­bém geminada, uma fina columna de mármore na prumada do cunhal tão bem posta que conserva a sua linha apezar dos tempos e do abandono. - Ha chami­nés de mármore nestas salas, pequenos fogões que seguramente só serviam para aquecimento. Outras casas e alcovas tem este pavimento; a ultima era uma tribuna para a capella. - O azulejo é de xadrez verde e branco. - As altas paredes nuas certamente eran vestidas de tapeçarias. No pavimento térreo es­tão a cosinha, os depósitos, casas de serviçaes do­mésticos, e estrebaria. - A construcção do pavimento térreo é muito anterior á do andar nobre - A capel­la, encostada á torre, tem porta para o campo, gente de fora poderia ir ouvir a sua missa sem entrar no pateo. A parte mais velha é a torre; edificaram de­pois as grandes casas do pavimento térreo, de sober­bas paredes e espessas abobadas. - Mais tarde a ca­pella, que é ogival. Dos fins do século XV é o pavimento nobre. O edifício conta a sua historia pela juxtaposição dos seus cunhaes. Houve aqui o acaso de não modificarem construcções antigas para as trans­formarem, ou as adaptarem; foram juntando umas a outras, conservando todas a sua antiguidade. Os te­lhados primitivos eram muito altos e empinados; isto via-se bem antes do concerto recente, porque nas chaminés, erguidas restavam vestígios da passagem dos telhados. - Exteriormente largas faixas ou frisos de esgrafitos variados decoravam as paredes. Pareciam rendas velhas... As construcções artísticas da Sem­pre Noiva devem ser do tempo do bispo de Évora D. Affonso de Portugal, que entrou na egreja depois de viuvo... A Sempre Noiva, uma das raras constru­cções civis do passado, é monumento da revolução artística em Portugal, e exemplar interessante do an­tigo solar alemtejano. - O sr. A. Haupt, no segundo volume da sua obra Die Bankunsi der Renaissance m Portugal, tracta detidamente da Sempre Noiva, e leva o seu enthusiasmo a esboçar um projecto de restauração.» - E justamente este projecto, de Haupt, que a nossa gravura reproduz.
Pag. 528 - D. Diniz de Mello e Castro (Conde das Galveias)
Este valente general portuguez, que tanto bata­lhou nas guerras da Independência, nasceu a 3 de março de 1624. Seu Pae, Jeronymo de Mello e Castro, serviu nas armadas da guarda-costa, foi governador do castello de S. Filippe, de Setubal e do conselho ultramarino. Começando a servir muito novo no exer­cito, tomou parte activa na guerra da restauração, manifestando em varias occasiões decidido valor e grande intrepidez, acompanhados de vastos e profun­dos conhecimentos da arte da guerra. Sendo tenente general de cavallaria, na batalha do forte de S. Mi­guel em 1638, recebeu sete feridas combatendo de­nodadamente, e cahindo-lhe morto o cavallo em que montava, foi atropellado pela cavallaria hespanhola e levado prisioneiro quasi até junto dos muros de Ba­dajoz, livrando-o de tão criticas circumstancias o va­lor dos nossos soldados. - Assistiu ás três mais im­portantes batalhas que se deram no tempo da Res­tauração, sendo, depois de concluída a paz, nomeado conselheiro de estado e de guerra e agraciado com o titulo de conde das Galveias em 1690. - Ainda nos princípios do século XVII, na guerra da successão, prestou este insigne general valiosos serviços, pois que, sendo em 1705 governador das armas do Alemtejo, tomou as praças de Valença, de Alcântara, e Al­buquerque, mas foram estes quasi que os seus últi­mos feitos, pois que morreu a 18 de janeiro de 1709. O retrato que apresentamos é copiado de outro que existe na Bibliotheca Publica de Lisboa.
Pag. 529 - Attentado contra o conde de Soure
Em pags. 518 d'este volume se encontra a descripção circumstanciada do episódio que a nossa gra­vura representa.
Pag. 533 - Filippe de Tavora e Noronha
É copiado de um retrato existente na Bibliotheca Publica de Lisboa, o que aqui damos d'este persona­gem que figurou na historia do nosso paiz durante os reinados de D. Pedro II e de D. João V.
Pag. 536 - Louzã - Palácio dos Salazares
É um dos edifícios mais importantes, ainda que relativamente moderno, da vetusta villa da Beira. A amabilidade d'um dedicado amigo d'esta publicação, á qual tem prestado outros serviços idênticos, deve­mos o prazer de poder dar aqui a reproducção d'esse interessante solar dos Salazares.
Pag. 537 - Altar-mor da egreja matriz do Fundão
Data de 1707 a egreja matriz do Fundão; é espa­çosa, mas tem uma só nave O seu altar, que a nossa gravura representa, é muito elegante e feito de talha dourada, o que o torna muito apreciável e digno de ser admirado pela sua perfeição artística.
Pag. 541 - D. Maria Francisca de Saboia
O retrato d'esta celebrada heroina, mulher de dois maridos ambos vivos e ambos reis, é copia do que foi pintado em Paris em 1665 sobre o painel poste­rior do coche que lhe foi offerecido por Luiz XIV de França, coche que ainda é pertença da casa real.
Pag. 545 - Batalha dos Gararapes
É cópia d'um precioso quadro do illustre pin­tor brazileiro Victor Meirelles o que aqui damos re­presentando a famosa batalha de que n'este volume da nossa Historia se encontra minuciosa descripção.
Pag. 549 - D. Pedro II
Existe na Bibliotheca Publica de Lisboa o quadro d'onde foi reproduzido o retrato que aqui damos d'este monarcha portuguez.
Pag. 552 - Pórtico da egreja de Aldeia Gallega da Merciana
A egreja de Nossa Senhora dos Prazeres de Al­deia Gallega da Merciana, sede da actual freguezia, é muito decente, sem bellezade architectura, mas comtudo clara e espaçosa. Segundo as respostas do prior, em 1758, que conferem com a actualidade, tem três altares; o maior, de Nossa Senhora dos Praseres, orago da freguezia; e os outros de Nossa Senhora do Rosário e de S. Miguel, tendo este ultimo outr'ora uma irmandade e capellão que já hoje não existem. Havia também uma capella de Nossa Ssnhora da Soledade. O parocho era aposentado pelas rainhas e vencia uns 400$000 réis; havia quatro beneficiados aposentados pelo prior, que venciam 150$000 réis cada um. - No corpo da egreja ha uma capella funda que pertencia á família dos condes da Ericeira. A ar­chitectura d'esta capella é sem duvida muito mais antiga que a do resto da egreja. A abobada apresenta todos os indícios de ter sido construída nos reinados de D. João ou D. Manuel. O florão que a fecha tem uma vieira, distinctivo do brazão dos fundadores da capella. Debaixo do soalho ha uma campa com bra­zão e inscripção. A invocação do altar é de Nosso Se­nhor da Cruz Nova, assim chamado por ser um cru­cifixo de pedra fina que no começo do século passa­do foi descoberto próximo á quinta do Fallou, e foi por ordem do primeiro patriarcha de Lisboa, D. Thomaz de Almeida, recolhida aqui. Ha também na mes­ma capella uma imagem grande de Santa Anna. Al­gum tempo havia confraria e dois capellães. - Na capella-mór e no corpo da egreja ha diversos quadros de algum mérito e bons azulejos representando scenas da Historia Sagrada. De baixo do arco cruzeiro há uma campa com a inscripção: S.ª de Jorge Ca­bral de Tavora prior que foi d'esla egreja - Este ho­mem viveu no reinado de Filippe I de Portugal e, segundo consta, era pessoa de algum merecimento e de nobre família. - A esculptura da porta principal da egreja (que a nossa gravura representa) é do sé­culo XV e o emblema dos pelicanos no sobre-arco parece indicar o reinado de D. João II. Segundo o cartório, parece que houve uma reforma ou reedificação em 1610 ou 1616, mas a pintura do tecto é do mesmo risco, como da egreja da misericórdia d'Alemquer, e podemos imaginar por conseguinte que é pos­terior ao terremoto.» Guilherme João Carlos Henriques, Alemquer e seu concelho.
Pag. 553 - Interior da cathedral do Funchal
Assim como dêmos um aspecto exterior d'esta magnifica obra do tempo de D. Manuel, assim quizemos dar, para complemento, o aspecto do seu in­terior. Como se sabe este edifício é um dos mais grandiosos da Madeira.
Pag. 557 - Conde de Castello Melhor
É copiado de um bello retrato a óleo existente na opulenta galeria do sr. conde da Figueira o que aqui damos do famoso valido e ministro de D. Affonso VI.
Pag. 560 - Pelourinho do Fundão
Na interessante monographia O Fundão, do sr. José Germano da Cunha, lê-se o seguinte acerca de este pelourinho: «Em 1881 ou 1882, a vereação que presidia aos destinos do municipio, julgando que o pelourinho era um symbolo de infâmia e despotismo, mandou-o apear. E como se tamanha barbaridade não bastasse, por tal modo se houveram os executo­res da deliberação camarária, que fizeram pedaços esse emblema da autonomia municipal. A pedido meu, tiraram-se os desenhos das differentes peças que, reunidas, deram o conjuncto, do qual se tiraram photographias. Foi isto passados 12 annos depois do vandalico attentado».
Pag. 561 - Morte do general D. Affonso de Sande
Nas ultimas paginas do volume 5.º da  nossa Historia se encontra a descripção d'esse horroro­so attentado.
Pag. 565 - Manuel de Sousa da Silva
Foi o illustre fidalgo que a nossa gravura repre­senta vedor da rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboia, mestre sala do príncipe D. Theodosio, alcaide-mór e commendador das commendas da villa do Casal e de S. Maninho do Bispo, e senhor do Mor­gado das Eças. Achou-se envolvido no levantamento de D. João IV e no primeiro sitio de Elvas. Serviu de aposentador mór. O retrato que aqui damos é co­piado da preciosa galeria de quadros do sr. conde da Figueira.
Pag. 568 - Villa Verde - Ruinas do Palácio do Marquez de Angeja
Á entrada de Villa Verde de Francos, indo de Alemquer, ha, á beira da estrada, uma ermidasinha tosca dedicada ao Anjo da Guarda. É propriedade dos Marquezes de Angeja e tinha antigamente juize confraria que festejavam no terceiro domingo de ju­lho. Próximo a esta ermida ha um phenomeno da natureza bastante singular: uma grossa lage encos­tada a um ulmeiro tem descançado sem ser mechida ha tantos annos que já uma boa parte está embebida na arvore. Depois segue o palácio e cerca dos donatarios da terra. O palácio é um edifício sólido, irregular e incompleto, que está rapidamente cahindo em ruinas. Ha n'elle um quarto bastante damnificado, chamado o gabinete do conde, provavelmente por ter sido obra do conde de Villa Verde que foi governador da Índia, cujo tecto está repartido em quadros, representando sceaas da historia da conquista da Índia, e cada quadro tem em redor os no­mes dos principaes capitães que se acharam n'aquelles feitos. Alemquer e seu concelho, por Guilherme João Carlos Henriques (da Carnota).
Pag. 569 - André d'Albuquerque
É copiado d'um retrato a óleo existente na Real Galeria dos Uffizi de Florença, o n.° 1022, o que aqui damos d'este valente general portuguez das guerras da Restauração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pag. 573 - Egreja de Villa Verde
Da interessantíssima monographia do sr. Guilher­me João Carlos Henriques, Alemquer e seu concelho, que já mais de uma vez nos tem servido n'estas cu­riosas investigações, vamos haurir os apontamentos necessários para a historia e descripção d'esta velha egreja. - «A egreja de Nossa Senhora dos Anjos, sita no centro de Villa Verde, teve provavelmente a sua fundação no século XI; mas os documentos mais authenticos e antigos que temos apenas provam a sua existência no fim do século XV. A visita mais antiga que encontramos foi do bispo da diocese e consta do livro da roda do bispado de Lisboa; mas, por um des­cuido singular não traz o anno em que foi feita. Co­nhece-se comtudo que foi anterior á doação de Villa Verde aos Gomides, porque declara que a egreja era do padroado real; que as rações (benefícios) eram dadas pelo prior com o consentimento do bispo; que havia uma capella na egreja fundada por mestre Pe­dro, thesoureiro que foi de Lisboa, cujas possessões podiam valer, depois de pago o capellão, vinte e cin­co libras; que o povo era obrigado a dar besta ao prior quando ia administrar fora da villa, e que o ter­ço pontifical ia para o bispo, outro terço dos rendi­mentos levava o prior e o resto era dos beneficiados. - Pela doação do padroado aos Gomides ficou a apre­sentação dos benefícios na posse dos priores como sempre foi costume nas egrejas do padroado real, mas esta posse não poucas vezes lhes foi disputada pelos bispos de Lisboa, chegando a haver dois apre­sentados em cada beneficio em 1660. Estes benefícios eram seis e rendiam em 1758 80$000 réis cada um; hoje passaram os rendimentos ao Seminário de Santarem. O beneficiado de mais nota que encontrámos foi o cardeal arcebispo de Lisboa, D. Jorge, que falleceu em Roma em 19 de setembro de 1508. - O prior d'esta freguezia em tempos mais remotos provavel­mente vencia um rendimento muito superior ao que a egreja rendia ultimamente, porque achamos no prio­rado alguns homens distinctos que provavelmente não o teriam acceitado se o rendimento não fosse ade­quado. Em 1758 rendia 500$000 réis. - Em 1580 era prior o dr. Paulo de Palácios, hespanhol, esmoler-mór da rainha D. Catharina, pregador do Cardeal D. Henrique, cathedratico de theologia, e que escre­veu algumas obras em castelhano, que são de muito merecimento e excessivamente raras. A similhança do appellido faz-nos imaginar que a quinta dos Palá­cios na freguezia de S. Miguel de Palha Canna seria d'esse padre. - Em 1599 o prior era Simão da Costa. Em 1601 Lourenço da Gama Pereira. Em 1630 era D. Manuel de Noronha prior. - A elle succedeu seu irmão D. Luiz de Noronha, que, depois de servir nas armadas da costa tomou ordens e aqui falleceu. - Em 1670 era prior o padre Lucas d'Andrade, beneficiado na egreja de S. Nicolau em Lisboa. - Em 1703 o prior era o padre José de Mattos Henriques, commissario do santo officio. - Em 1770 era o padre João da Silva... O edifício da egreja é d'aquelle gosto frio e severo que os nossos sábios das aldeias gostam de chamar gothico, mas que nada tem d'aquella architectura. A seguinte descripção do templo foi feita em 1758, mas cremos que confere com a actual. No altar-mór ha as imagens de Nossa Senhora dos Anjos, S. José e S. João Baptista.  Esta úlfima imagem cremos que era de uma ermida que havia no antigo castello. A imagem de Nossa Senhora tinha uma confraria de que era juiz perpetuo o prior. - No altar collateral do Evangelho, ha o Menino Jesus, com confraria e festa no seu dia; Santa Luzia e Santa Anna ambas também com festa nos seus dias. - Do lado da Epis­tola o primeiro altar tem Santo António com con­fraria, festa no seu dia e trezena, S. Marcos com confraria e festa, e Santo Antão. No segundo altar ha Nossa Senhora do Rosário com confraria e festa no 1.º domingo de outubro, S. João e S. Gregorio. Da irmandade do Santíssimo eram juizes perpétuos os marquezes de Angeja; esta irmandade festejava no terceiro domingo de outubro. A festa do orago era em 15 de agosto e tinha 50 dias de indulgência. Na egreja ha as seguintes inscripções: - Na capella mór do lado da epistola: Aqui jaz o doutor Paulo de Palácios, natural de Granada, esmoler mór da rainha D. Catharina, pregador do cardeal D. Henrique, ca­thedratico de theologia e prior que foi d'esta egreja. Falleceu a 14 de abril de 1582. - Em frente do al­tar : Sepultura de D. Luiz de Noronha prior d'esta egreja que falleceu em ... de 1613 (ou 1653). - Nesta sepultura cremos que também estão enterra­dos seus irmãos D. Manuel e D. Fernando. O ultimo falleceu em Villa Verde. em 26 de agosto de 1643».
Pag. 576 - Cruzeiro d'Aveiro
É este cruzeiro, uma excellente obra da Renas­cença, uma das curiosidades artísticas dignas de menção de Aveiro, pelo que para aqui a mandámos reproduzir.
Pag. 577 - Cerco de Badajoz - Ataque a uma brecha
Em pags. 325 d'este 5.º volume da nossa Historia se descreve este episódio do cerco de Badajoz, em que os nossos soldados mais uma vez mostraram o seu valor e brio militar.
Pag. 581 - Francisco Barreto
É da notável galeria degli Uffizi, de Florença, o quadro d'onde mandámos reproduzir o retrato que o leitor tem presente d'este denodado batalhado das guerras da Restauração. É tantas vezes citado o seu nome no decurso d'este 5.º volume da nossa Histo­ria, que isso nos dispensa de lhe darmos aqui os traços biographicos.
Pag. 584 - Lagos - Portal da egreja de S. Sebastião
No sitio d'esta egreja era antigamente a de Nossa Senhora da Conceição, que ficou incluída nesta. O bispo D. Aftonso de Castello Branco creou n'ella prior que até então se chamava reitor, e dois benefi­ciados em 1582. O bispo D. Jeronymo Barreto fez mais outro beneficiado, que o bispo D. Francisco Gomes d'Avellar fez curado. Esta egreja é de três naves, com 7 capellas e altares, e muito vasta. Está situada em um alto. É templo muito antigo, e foi reconstruído por D. João II pelos annos 1490, que lhe mudou a primitiva invocação da Conceição pela de S. Sebastião, por ser este santo advogado contra a peste que então affligia com frequência o Algarve.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pag. 585 - Lisboa - Egreja de S. Roque
Merece noticia desenvolvida o templo que a nossa gravura representa; por isso vamos destacar o que, a tal respeito, diz Pinho Leal, no seu precioso Portu­gal Antigo e Moderno, que é o livro em que, em menor espaço, encontrámos o maior numero de noticias a respeito d'este collegio de Jesuítas. «Em 1503 uma horrorosa peste assolou todo o reino, fazendo os seus maiores estragos no povo de Lisboa - O rei D. Manuel mandou pedir á Senhoria de Veneza, onde está o o corpo de S. Roque. algumas reliquias d'este santo, advogado contra a peste. O senado da Senho­ria mandou ao rei as relíquias, que elle, a corte e o povo receberam com grande devoção e solemnidade. - Tractou-se logo de edificar uma ermida, dedicada a S. Roque, para n'ella se collocarem as suas relíquias. Escolheu-se para esta edificação o actual largo de S. Roque, que era então um monte fora (mas perto) dos muros da cidade, coberto de frondosas oliveiras, e a cujo sitio se chamava Villa Nova de Andrade - Havia aqui um logar, mais próximo á porta da cidade (que depois se chamou de S. Roque, e foi demolida em 1835), em que se enterravam os que morriam da peste. Foi aqui o sitio em que se edificou a ermida. - Foi lançada a primeira pedra a 24 de março de 1506, e foi sagrada a 25 de fevereiro de 1515. - Em 1553 ainda os padres da Companhia não tinham casa professa em Lisboa, tendo-a já em Coimbra e no Porto. - O padre commissario, Jeronymo Natal, veiu então a Lisboa, pedir a D. João III permissão de fundar aqui o collegio da sua ordem, o que o rei lhe concedeu, mandando-lhe escolher sitio, o que elle fez, preferin­do o logar onde estava a capella de S. Roque, em ra­zão de serem de pouco valor os terrenos adjacentes, o que lhe facilitava os campos para fundar o edifício e cerca; e por ser sitio alegre, vistoso e sadio. - Tractaram os padres da compra da ermida, mas tal re­sistência achava nos irmãos da confraria de S. Roque, que só com a intervenção do rei conseguiram reali­zar o contracto, e isto sob condições pesadas, sendo uma dellas fazer na egreja uma capella dedicada a S. Roque, administrada exclusivamente pela irmanda de e sem a mínima dependência dos padres. - Toma­ram os jesuítas posse da ermida, que pouco a pouco foram alargando e fazendo em volta algumas casas para sua habitação. - Passados annos, quiz D. João III fazer aqui um grande templo, para seu jazigo e da rainha D. Catharina, sua mulher, dando-o aos jesuítas; mas não teve effeito este projecto, e só o rei com­prou por aqui vários terrenos para a cerca e fez aos padres grandes donativos, com que elles deram co­meço á obra da nova egreja (a actual) em 1566. - O seu primeiro plano era fazer o templo de três naves, mas logo no anno seguinte se decidiu ser de uma só nave, por ser mais claro e se ouvirem melhor os pre­gadores. - Desfizeram-se os alicerces, e a capella an­tiga, que lhes tinha servido de cruzeiro, e o alpendre, a que se chamava egreja velha, trabalhando-se com tanta energia, que em 1575 estavam já as paredes concluídas até á cornija. - Tem o corpo da egreja 186 palmos de comprimento (40m,32) e 82 de largo (18m,4). A capella-mór apenas tem 5m de alto e 7m,50 de largo. - O architecto d'estas obras foi Philippe Terço, o mesmo que fez as de S. Vicente de Fora e algumas nos paços da Ribeira; mas em S. Roque parece que só fez as obras de madeira. - Pelo terremoto, desabou a varanda e passadiço que havia sobre a cimalha do frontespicio, bem como o tympano onde estava o ni­cho com a imagem, de pedra, de S. Roque; e assim esteve alguns annos, até que se lhe construiu novo tympano, com uma cruz de ferro no angulo superior; mas obra lisa, chata e sobremodo desengraçada. - Em 1862 se fizeram algumas obras n'esta egreja, res­taurando-se então as velhas pinturas do tecto. - Tem a egreja quatro capellas de cada lado. A primeira da direita, entrando pela porta principal, é dedicada a Nossa Senhora da Doutrina, e tem dois óptimos qua­dros do nosso Bento Coelho da Silveira, são - a Ressurreição e a Ascensão de Jesus Christo. - A segunda é de S. Francisco Xavier. A imagem d'este santo é um primor de esculptura. Ha aqui dois quadros de bella composição, cujo auctor se ignora. Um é o papa Paulo III, no acto de enviar para Portugal os primei­ros religiosos da Companhia de Jesus em 1540 - o outro representa o rei D. João III, rodeado da sua côrte, dando audiência de despedida, ao padre S. Fran­cisco Xavier, quando este partiu para a Índia, em 1841, pura propagar o Evangelho no Oriente. - A terceira capella é de S Roque. N'ella está o famoso quadro d'este santo, pintado em madeira por Gaspar Dias, depois da sua volta da Itália, onde foi estudar nos fins do século XVI. - A quarta, que é hoje do Santíssimo, tem dois bellos quadros de Bento Coelho - um é o Transito da Virgem, outro a sua Coroação. - A pri­meira capella do lado esquerdo é dedicada á Família Sagrada (Jesus, Maria e José). Tem quatro painéis - o Menino entre os doutores, por José de Avellar Rebello, pintor illustre do século XVII - o Repouso no Egypto, que se suppõe do mesmo auctor. Estes dois estão no fundo da capella e são pequenos. Aos lados ha dois quadros grandes - o primeiro é o Nascimento de Jesus Christo, e o segundo a Adoração dos Reis Magos. Parece que são de André Reinoso, pintor portuguez do século XVII, ainda que o segundo é inferior em merecimento ao primeiro. - O segundo é de Santo António de Lisboa. Estão n'ella dois quadros do fa­mosíssimo Vieira Lusitano. O do lado do Evangelho é Santo António pregando aos peixes e o da parte da Epistola é Santo António pedindo á Santíssima Vir­gem auxilio contra as tentações do demónio. - A ter­ceira é de Nossa Senhora da Piedade. Está aqui um segundo  quadro que se attribue a Bento Coelho, onde se admira uma velha pintura de Nossa Senhora das Dores. Tem dois quadros grandes, sendo um o Descimento da Cruz e outro, Jesus Christo cahindo sob o peso da Cruz quando subia para o Calvário. São copias, de pintor desconhecido. - A quarta é a fa­mosíssima capella de S. João Baptista, formoso e rico sanctuario, celebre em todo o reino e ainda no  es­trangeiro,  pela sua admirável magnificência. - Foi mandada fazer em Roma, por D. João V, de Portu­gal em 1740, pelo desenho do celebre architecto Vanvitelli. - Os bellos quadros de mosaico (a melhor obra d'este reino e que não tem superior e poucas rivaes no mundo) são de Manuci. As esculpturas são de Giusti. Esta capella foi dada pelo rei aos padres de S. Roque, com todos os seus paramentos, em tudo condignos da primorosa capella. Só esta, sem os paramentos, custou ao monarcha portuguez um milhão de cruza­dos. D. João V deu ao papa Benedicto XIV outro mi­lhão de cruzados, de esmola, por dizer, em Roma, a primeira missa n'esta capella e a sagrar. - A capella chegou a Lisboa em 1747. - No arco cruzeiro ha qua­tro capellas. As duas da parte da Epistola estão occultas com o órgão que alli collocaram, o que desfeia bastante o aspecto geral do templo. - Por cima das capellas corre um friso de pedra, e sobre elle, no meio do arco de cada capella, fica uma tribuna, com bastante vão para seis pessoas. Estas tribunas têem ao fundo largas janellas de vidraças, que dão luz á egreja. Entre estas columnas ha dezeseis painéis re­presentando diversos passos da vida de Santo Ignácio de Loyola. São sete de cada lado e dois en­tre as três janellas do coro. - Quando, em 1843, se descobriram as relíquias, por detraz dos altares de Todos os Santos, das Onze mil virgens, da Senhora da Piedade e de Nossa Senhora da Doutrina, foram apeados os quadros das capellas que ficam referidas para se limparem e concertarem. Em 1862 tambem se apearam, para o mesmo fim, os painéis que ficam sobre as capellas, dourando-se-lhes as molduras, que tinham perdido todo o seu antigo douramento. - Na sacristia sobre os caixões do paramentos, ha uma série de pequenos quadros representando scenas da vida de S. Francisco Xavier. Os do lado direito são pintados por André Reinoso. É notável a sua composição, desenho e colorido. Os da esquerda, apezar de não serem do mesmo auctor, são de muito merecimento, e todos de grande valor histórico. - Debaixo do coro ha dois retratos, attribuidos a António Moro (pintor de Utrecht, que veiu a Portugal no século XVI). Um é D. João III, e outro sua mulher, a rainha D. Catharina. - Em 3 de setembro de 1759 foi definitivamente supprimida a ordem da Companhia de Jesus, e seus membros proscriptos e banidos de Portugal pelo marquez de Pombal. O collegio de S. Roque foi dado á irmandade da Misericórdia, por alvará de 8 de fevereiro de 1768, para alli se estabelecer a roda e hospício dos expostos. Modernamente, e desde que a administração da Santa Casa da Misericórdia, de Lisboa, foi entregue a uma commissão, nomeada pelo governo, tem-se feito grandes obras n'este edifício, para satisfazer ao fim a que elle é destinado. - Já ve­mos, pois, que por muitas circumstancias, são a a egreja de S. Roque e edifício annexo, dignos de serem vistos e admirados por nacionaes e extrangeiros. - Fernão Tello da Silva, que foi governador da Índia, e sua mulher, D, Maria de Noronha, fundaram um hospício para jesuítas, em uma sua quinta a Campolide, em 1597, lançando-se a primeira pedra na egreja, a 23 de abril de 1603. Quando se fundou o collegio da mesma ordem, em Villa Nova de An­drade, onde foi depois o collegio dos Nobres e é hoje a Escola Polytechnica, os jesuítas venderam isto ao novo collegio para quinta de recreio dos collegiaes e vieram para a casa professa de S. Roque.» - Acer­ca d'este edifício e Casa da Misericórdia, está-se im­primindo uma Memória, na Academia.
Pag. 589 - D. Pedro António de Noronha conde de Villa Verde
D. Pedro António de Noronha e Albuquerque e Sousa, cujo retrato aqui damos copiado do que existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa, 2.º conde e 13.º senhor de Villa Verde, nasceu em 13 de junho de 1661. Foi veador da fazenda, membro do conselho de estado e guerra e mordomo-mór de S. A. a princeza do Brazil. Em 1693, tendo apenas trinta e dois annos foi nomeado vice-rei da Índia, e governou aquelle estado com tal prudência durante cinco an­nos, que o conseguiu tirar do estado de decadência em que a incúria dos seus antecessores o haviam deixado cahir. Com pequenas forças venceu os Ín­dios em vários combates; fez um tractado muito van­tajoso com o schah da Pérsia e reedificou as mura­lhas quasi desmoronadas de Moçambique. N'uma pa­lavra, achou o domínio portuguez no Oriente bas­tante enfraquecido, e em pouco tempo o restabele­ceu no seu primitivo vigor. - Voltando da Índia, foi nomeado general de cavallaria na província do Alemtejo, depois mestre de campo general na campanha de 1706. Em 1710 foi nomeado governador das ar­mas na província do Alemtejo e commandou um exercito de 19:000 homens, contra os Hespanhoes. Em 1713 teve a nomeação de vice-rei e capitão ge­neral de mar e terra com intendência e superioridade sobre todas as capitanias da America. Em 21 de ja­neiro de 1714 foi agraciado com o titulo de marquez de Angeja. Voltou da America em 1718 sendo rece­bido com geral estima, e morreu em 16 de julho de 1731, sendo enterrado na egreja de S. João da Praça em Lisboa.
Pag. 592 - Sé Velha de Coimbra - Túmulo de um bispo deseonnecido (séc. XV)
Este interessante specimen tumular do século XV vê-se na veneranda cathedral conimbricense, junto do retábulo de Santa Izabel. Como o desenho indica, está muito damnificado. A parte mais curiosa é um delicioso baixo-relevo que decorava a respectiva urna tumular e de que hoje só restam alguns fra­gmentos, que são os que apparecem no desenho e que ha tempos foram recolhidos ao museu do In­stituto, afim de não terem descaminho. - Assim em a nossa aguarella, vêem-se distinctamente os assum­ptos d'esse baixo relevo, tirados do Antigo e Novo Testamento, encontrando-se alli a creação do homem, o peccado original, Deus insuflando alma ao primeiro homem, Christo no Horto, etc.
Pag. 593 - D. Affonso VI prisioneiro no palácio de Cintra
No volume 6.º da Htstoria se encontrará a descripção da scena representada pela nossa gravura e conhecerá a vida d'este príncipe tão leviano corno desgraçado.
Pag. 597 - Infante D. Duarte, irmão de D. João IV
Copiou-se da bella estampa com que abre a His­toria do Infante D. Duarte, pelo sr. Ramos Coelho, o excellente retrato que aqui damos do desditoso ir­mão de D. João IV.
Pag. 600 - Egreja de Nossa Senhora d'Aldeia Gallega da Merceana
Nada podemos nem devemos dizer acerca d'esta egreja, depois do que dissemos quando tivemos de acompanhar de algumas palavras, em pags. 631 d'este índice, a gravura que do pórtico da mesma egreja dêmos em pags. 552 d'este 5.º volume da Historia.
Pag. 601 - Palácio do conde das Galveias ao Campo Pequeno
Occupa o lado do sul d'este Campo, e é uma das melhores residências dos arrabaldes de Lisboa, tanto pela bella da sua situação como pelo nobre e gran­dioso palácio, construído no século XVIII, e pelos jar­dins e bosques da quinta, ricos de arvores exóticas. Infelizmente esta quinta está pouco cuidada não obstante ter servido de habitação permanente aos seus proprietários.
Pag. 605 - D. Antão Vaz d'Almada
Existe na preciosa galeria dos srs. condes de Alma­da o original d'onde foi copiado este soberbo retrato do illustre personagem que tão primacialmente figurou no movimento revolucionário de 1640. - D. Álvaro de Almada, descendente da nobre família do D. Ál­varo Vaz de Almada, que tantos homens illustres deu á pátria, foi um dos mais enérgicos e decididos entre os fidalgos que planearam e levaram a cabo, como se viu no nosso 5.º volume da Historia, a res­tauração de Portugal. Morava elle no Rocio, ao pé de Inquisição, no palácio que ainda hoje pertence aos condes de Almada seus descendentes, e do qual já demos photogravura n'este mesmo volume (pag. 265). Quando se começou a tramar a conspiração contra os Hespanhoes, reuniram-se primeiro os conspirado­res em casa de Jorge de Mello, e alli combinaram que d'ali por deante as suas reuniões fossem em ca­sa de D. Antão de Almada. - O motivo que os levara a escolher esse sitio, aliás tão central, e que, por is­so, parecia pouco próprio para essas reuniões, fora o haver no palácio um jardim copado de arvoredo e no meio d'esse jardim um pavilhão descoberto com as paredes azulejadas, com assentos em volta, e um tanque em forma de pia baptismal, primorosamente lavrado no estylo do século XVI, e que ficava ao fun­do de uma escada de pedra, por onde se ia ter a uma porta escusa, que deitava para o monte de Sant'Anna. Fôra essa facilidade de se entrar por uma porta se­creta que deitava para sitio isolado, e de se fazerem as reuniões n'um pavilhão entre arvores, que deter­minaram toda a escolha do sitio. - Alli se fizeram, pois, todas as reuniões dos intrépidos conjurados, in­clusivamente a última a de sexta-feira, 30 de novem­bro em tudo esteve para se perder pelas reflexões realmente intempestivas de D. João da Costa que mui­to sensatamente, mas muito pouco a propósito, expoz todos os inconvenientes de tão prematuro movi­mento. D Antão de Almada foi um dos fidalgos que se convenceram de que era uma loucura le­var por deante a empreza, o que o não impediu de ser o mais decidido de todos. - No dia 1 de de­zembro, D. Antão de Almada foi com os outros ao Terreiro do Paço, e foi elle quem, pela energia das suas intimações, obrigou a duqueza da Mantua a assignar-lhe a ordem para o governador do castello de Lisboa entregar a fortaleza aos sublevados. - Restaurado o throno dos reis portuguezes, tractava-se immediatamente de alcançar a protecção da Europa. Logo partiram embaixadores para os diver­sos paizes da Europa, sendo as embaixadas mais im­portantes as de França, de Inglaterra, de Hollanda e de Roma. Para embaixador em Inglaterra foi esco­lhido D. Antão de Almada, dando-se-lhe como se­cretario um homem de altos talentos, e cujo nome ficou registrado entre os dos vultos mais notáveis da litteratura portugueza, António de Sousa de Macedo. - Partiu D. Antão de Almada em 6 de fevereiro de 1641, e, pouco depois, de chegar a Londres, foi rece­bido pelo rei de Inglaterra, que era então o infeliz Carlos I. Não sabemos se o rei seria mais favorável á causa de Hespanha que á de Portugal, mas o que é certo é que no parlamento já então predominante, como não tardou a demonstral-o annos depois, do­minavam as sympathias pela causa portugueza. D. Antão de Almada pôde pois concluir n'esse mesmo anno de 1641 um tractado de paz e amisade com a Inglaterra, que solemnemente reconheceu a nossa independência. - Voltando a Portugal, não poude D. Antão de Almada prestar muitos mais serviços á coroa portugueza, que ajudara a poisar na fronte de D. João IV, porque falleceu em 1644.
Pag. 608 - Janella manuelina da quinta do Matto
Situado próximo ao logar do Matto, na freguezia de S. Miguel de Palha Cana, Alemquer, derivava o convento do Matto o seu nome de uma espessa matta de carvalheiras que havia perto, mas que já não existe. A casa, que pertenceu á ordem dos Jeronymos foi fundada por frei Vasco em 1354, reedifi­cada em 1379 por D. João I, e tendo cahido segunda vez, pela natureza do solo e sua má posição que a sugeitava muito a trepidações do terreno, foi em 1500 novamente edificada por el-rei D. Manuel, que a enriqueceu com alguns privilégios, e lhe tinha tanta devoção que muitas vezes squi se recolheu, e, pondo de parte a real dignidade, assistia aos officios divinos como qualquer religioso da casa. - O convento está situado n'uma encosta isolada, bastante feia e tristo­nha, depois que se derrubou o grande arvoredo que alegrava a paisagem. Este convento e quinta é hoje propriedade particular. Quem desejar mais pormeno­res, leia a interessante monographia do sr. Guilherme Carlos Henriques, Alemquer e seu concelho.
Pag. 609 - Scenas de fanatismo, em Lisboa, no reinado de D. Pedro II
As scenas representadas pela nossa gravura refe­rem-se a factos passados no reinado de D. Pedro II, cuja descripção desenvolvida se encontra nos pri­meiros capítulos do 6.º volume da nossa Historia.
 
 
Vol. 5